Flávio Dino tem um ano para montar a estratégia de 2022

Por Raimundo Borges

A filosofia ensina que dilema é o raciocínio que parte de premissas contraditórias e mutuamente excludentes, mas que paradoxalmente terminam por fundamentar uma mesma conclusão. De acordo com suas últimas falas e movimentos políticos, o governador Flávio Dino vive em 2021 um dilema que, inexoravelmente terá desfecho antes das eleições de 2022. Portanto, o caminho parece curto, porém, oferece alguns atalhos que poderão servir de guia ao único governador da história do PCdoB, que conseguiu com a vitória eleitoral destruir a oligarquia Sarney, a mais duradoura do Brasil contemporâneo.

Na vida profissional as pessoas não escapam de “topar” na estrada da vida em algum tipo de dilema. Flávio Dino está numa encruzilhada que aponta várias direções: terminar o mandato até o fim de 2022, como fez Roseana Sarney em 2014, quando renunciou a 20 dias do fim do governo. Esta é a hipótese menos provável. Também pode disputar a eleição de senador com uma vaga solteira, ocupada pelo senador tucano Roberto Rocha; voltar à Câmara dos Deputados, por onde iniciou, em 2006, sua vida política após abandonar a toga de juiz federal que envergou por 12 anos.

Diante de Flávio Dino, uma encruzilhada que aponta várias direções

As curvas perigosas

O Senado parece, à primeira vista, um caminho cheio de curvas perigosas. Numa delas encontra-se o próprio Roberto Rocha, na oposição, eventualmente o deputado estadual Othelino Neto, do PCdoB (só se Flávio não concorrer), ou o pedetista Edivaldo Holanda Júnior, que acabou de deixar a prefeitura de São Luís com o prestígio em alta. Já a aventura na eleição presidencial, tanto debatida pelas mídias locais e nacionais, seria a mais improvável de acontecer hoje, com a oposição ao governo Bolsonaro dividida, e o PT trabalhando a todo custo para retornar o ex-presidente Lula ao embate das urnas de 2022.

Dino caberia bem como vice de Lula, caso o petista consiga se livrar das condenações que o tornam inelegível

Flávio Dino, aliado de primeira ordem de Lula não entrará numa aventura, disputando pelo PCdoB, que só ajudaria a dividir as esquerdas. Ele caberia bem como vice na chapa do petista, caso Lula consiga, até a próxima campanha, se livrar do restante das condenações que o tornam, hoje, inelegível. A opção de Dino pela troca do PCdoB por outra legenda, como por exemplo, o PSB, que já o convidou, teria mais sentido. Mas ele promete “até” concorrer à Câmara dos Deputados para fortalecer a bancada comunista.

Paralelamente ao seu dilema pessoal, que não envolve questões éticas, Dino tem contra si o despenhadeiro do fim da temporada de oito anos no Palácio dos Leões. Embora lidere o PCdoB local no centro de um agrupamento partidário que já começou a sofrer erosão nas eleições municipais de novembro passado, Dino tem robusta força política nacional. Mas ao seu redor, no Maranhão, estão dois pré-candidatos ao Palácio dos Leões: o vice Carlos Brandão (Republicanos) e o senador Weverton Rocha, líder do PDT. Os dois são jogadores políticos de métodos diferentes. Enquanto Weverton joga bem no ataque, Brandão prefere distribuir as jogadas pelo meio e manter o controle do jogo.

O fator Braide

Como o dilema de Flávio Dino não envolve crise ética ou moral, ele saiu de férias para descansar e refletir. Antes admitiu “até” concorrer a uma cadeira na Câmara, com o objetivo de fortalecer a bancada do PCdoB, embaraçado na cláusula de barreira. Se, porém, optar pelo Senado, terá pela frente o ocupante da cadeira, Roberto Rocha (PSDB), que vive de braços dados com o presidente Jair Bolsonaro.

No entanto, haverá um momento em que os donos do ninho tucano não irão permitir tamanho entrosamento com Bolsonaro. Afinal, o governador João Doria (SP) está jogando todo seu prestígio na vacinação contra o coronavírus, de olho no Palácio do Planalto em 2022. Ele e o presidente Jair Bolsonaro travam uma renhida batalha política, alimentada pela ambição desmedida de poder, tendo o cenário da pandemia no centro do enredo.

Braide, eleito como opositor de Flávio Dino, não fala nada sobre o que pensa das eleições de 2022

Ainda na política maranhense existe a figura do prefeito Eduardo Braide (Podemos),com uma carreira política marcada pelo crescimento nas urnas. Ele não fala absolutamente nada sobre o que pensa das eleições de 2022. Braide foi eleito como opositor de Flávio Dino e ganhou a eleição sem dificuldade tanto no primeiro quanto no segundo turno. Ele é um político cauteloso, com um discurso leve e sem espalhafatos.

Tem prometido aproximação com o Palácio dos Leões, numa pregação interpretada como quem não quer confronto, mas tornar sua gestão produtiva para São Luís, com parcerias em todas as frentes. Tem como aliado o senador Roberto Rocha, o maranhense mais próximo do presidente Jair Bolsonaro e mais distante de Flávio Dino. No âmbito nacional, o PSDB já se entranha na oposição a Bolsonaro, enquanto o Podemos de Braide está firme na base aliada do presidente da República, no Congresso Nacional.

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