Edilson Baldez fala sobre vacina e a expectativa para volta da normalidade

Por Raimundo Borges

“O início da vacinação nos alimenta a esperança de que toda a população maranhense seja imunizada e, que empresas e trabalhadores, tenham segurança para trabalhar. A recuperação será lenta, mas esperamos que ela seja contínua e progressiva e, para isso, apostamos no avanço das reformas estruturais desejadas, principalmente a administrativa e a tributária”. Essa é a expectativa do presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, Edilson Baldez das Neves para 2021, em entrevista exclusiva a O Imparcial.

Edilson Baldez das Neves, presidente da FIEMA

Baldez sabe que não é fácil reverter no curto prazo os indicadores desfavoráveis do Maranhão, mas adianta que para muda-los se faz necessário aplicar políticas públicas contínuas, consistentes e permanentemente avaliáveis, inclusive do ponto vista espacial.

“O Maranhão não é uma unidade isolada; é necessário analisá-lo no contexto de outros estados, buscando reduzir a distância econômica e social. O Sistema Fiema (SESI e do SENAI) tem contribuído para a melhoria desses indicadores, com ações nas áreas de saúde, de educação e qualificação profissional, aumento de produtividade”, ressaltou.

Como líder empresarial no setor da indústria, quais são as perspectivas para 2021, diante do quadro de pandemia que volta na segunda onda da coivd19, com enorme repercussão na economia?

Edilson Baldez- As perspectivas são animadoras, embora com alguma incerteza ainda. Espero que possamos superar todas as dificuldades vividas neste ano de 2020 e que possamos fazer convergir todas as forças econômicas para um processo de retomada de crescimento sustentável. Agora, com o início da vacinação, nos alimenta a esperança de que toda a população seja imunizada e, que empresas e trabalhadores, tenham segurança para trabalhar. A recuperação será lenta, mas esperamos que ela seja contínua e progressiva e, para isso, apostamos no avanço das reformas estruturais desejadas, principalmente a administrativa e a tributária.

Quais são as ferramentas que a indústria maranhense pode adotar para não ser afetada em cheio nessa rebordosa do coronavírus?

Durante o ano de 2020, o Sistema Fiema e outras entidades produtivas implantaram o programa Avança Maranhão, ao longo do qual foi dada muita ênfase ao processo educativo de preservação das condições de saúde e qualidade de vida. Cuidados com a limpeza e higienização, uso de equipamentos de proteção individual (luvas, máscaras, óculos, e outros itens), e ações educativas, incluindo a distribuição de materiais. Isto continuará a ser feito, porque a vacinação, em si mesma, não elimina a necessidade de proteção.

O que falta para o Maranhão aproveitar a dinâmica da produção industrial de commodity voltada à exportação em bens agregados, dentro de suas divisas, gerando emprego, renda e desenvolvimento?

A produção de commodities não é ruim e há um engano muito grande quando se fala que as commodities têm baixo valor agregado, porque se contabilizarmos todas as etapas da produção de uma commodity como soja ou milho, se perceberá quanto se agrega de valor, desde a aquisição de sementes, de adubos e fertilizantes, de mão de obra, de armazenagem e transportes, etc. Exportar esses produtos não é ruim, mas o que todos desejamos é que possamos beneficiar, transformar produtos primários em bens industriais a fim de que se amplie a ocupação de mão de obra e se internalizem no estado mais renda, fazendo girar o ciclo do desenvolvimento.

A vocação do Maranhão para o agronegócio não tem conseguido expandir parte dele para produção de bens de consumo que beneficiem a economia geral do Estado. O que falta?

É preciso que se tenha claro o que desejamos industrializar, avaliar se o estado dispõe de matéria prima em escala suficiente ou se pode ter acesso a ela em condições de competitividade. Isto implica em uma infraestrutura de transportes e logística muito melhor e, principalmente, uma política industrial que sinalize aos investidores segurança jurídica e um ambiente de negócios confiável, com cenários previsíveis.

Com indicadores de analfabetismo, mortalidade infantil, de baixo rendimento social na agregação de valores aos produtos maranhenses, como inverter essa realidade com impulso do setor privado, puxado pela indústria?

Inverter esses baixos indicadores sociais não é possível a curto prazo, mas que isso possa ser feito é necessário aplicar políticas públicas contínuas, consistentes e permanentemente avaliáveis, inclusive do ponto vista espacial. O Maranhão não é uma unidade isolada; é necessário analisá-lo no contexto de outros estados, buscando reduzir progressivamente sua distância econômica e social. O Sistema Fiema, por meio do SESI e do SENAI, tem contribuído para a melhoria desses indicadores, com ações nas áreas de saúde, de educação e qualificação profissional, aumento de produtividade. É preciso, no entanto, que o setor público assuma isto como uma preocupação real e não apenas retórica. A indústria é apenas um segmento produtivo, parte do conjunto socioeconômico, mas o tecido social, no seu todo, demanda ações mais abrangentes. A nossa parte estamos fazendo com afinco.

Finalmente a vacina chegou às primeiras prioridades protocolares da população. Qual a expectativa do setor industrial sobre o que pode acontecer diante da possibilidade da volta plena do trabalho em todas as áreas?

A vacina cria a expectativa para que a vida volte à normalidade. Somente com ela toda a sociedade pode voltar a ter segurança e vida de todos volte a normalidade, para que o processo produtivo retome. Com isso, a produção e o consumo poderão crescer, gerando mais renda. Dentro dessa expectativa, a Confederação Nacional da Indústria – CNI estima que o PIB industrial possa crescer, em 2021, na ordem de 4,4%, face à perspectiva de que se criem condições mais favoráveis no ambiente de negócios, mesmo com o desemprego em torno de 15%. Se todos os segmentos industriais estiverem produzindo não haverá falta de matéria prima e insumos e a roda econômica terá seu giro normal.

A inflação voltou não com o impacto dos tempos passados, mas voltou. Há temor de que ela possa atrapalhar investimentos no setor produtivo e agravar o desemprego?

A inflação ainda está dentro dos parâmetros de controle. Sua variação positiva já era esperada diante dos desajustes produtivos provocados pela pandemia, onde indústrias continuaram produzindo e outras ficaram paradas. Os segmentos que continuaram em operação geraram demandas que não encontraram a oferta necessária, pressionando os preços para cima. Não creio que seja suficiente para brecar os investimentos e a produção. O desemprego está elevado e não é por culpa da inflação.

Como tem sido essa temporada para os empresários, como o senhor, ter que ficar isolados, meses seguidos, temendo ser contaminado pelo coronavírus.

Essa é a apreensão de todos, não apenas dos empresários, porque o coronavírus não escolhe suas vítimas pelo status. Pelo menos, agora, pode-se esperar que a vacinação ajude a superar tudo isso e todos voltem a viver normalmente.

No seu caso, deu para averiguar como fato dessa natureza mexe com o ser humano como indivíduo, principalmente no metabolismo da mente de quem está acostumado ao batente diário no trabalho produtivo?

Sim, tanto que o Sistema Fiema, no âmbito do programa Avança Maranhão, disponibilizou, por meio do SESI, assistência psicológica aos trabalhadores e empresários, de modo a apoiá-los na superação de eventuais anormalidades nesse sentido. A ausência ao trabalho quebrou uma rotina longa e isto gerou algumas inquietações. Felizmente, não tivemos muitos casos.

Como a indústria maranhense espera se recuperar dos prefeitos eleitos deletérios de 2020, provocados pela crise pandêmica do coronavírus?

Nós, que fazemos a indústria do Maranhão, esperamos que os novos administradores municipais assumam real preocupação com o sistema produtivo local, ao considerar que se as pessoas moram no município é lá que a produção também deve ocorrer; que o apoio ao empreendedorismo seja visto como uma ferramenta importante para gerar ocupação e renda e não emprego formal nos órgãos públicos. Para isso, é fundamental que a crise pandêmica seja encarada com muito rigor no seu combate para que novos danos não sejam refletidos na economia ou para as famílias.

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