Sem dança macabra

Por Raimundo Borges

O Carnaval como festas profanas na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, e que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-Feira de Cinzas, tem inúmeros significados religiosos ou mesmo satânico. Mas em 2021 a folia vai ser trancafiada até o próximo ano. Como seus folguedos populares,provenientes de ritos e costumes pagãos, não combinaria em nada com a situação pandêmica que o País do Carnaval vive hoje, diante de 233 mil mortos pelo coronavírus em apenas um ano. O Maranhão está na maior alta da nova onda da peste no país.

Com mais de mil mortos todos os dias, uma legião de contaminados ocupando leitos de UTI e clínicos, além dos que buscam recuperação em casa, seria inadmissível alguém querer a não interrupção do carnaval. No momento em que há um apavorante reinfecção de milhares de pessoas tanto pela Covid-19 quanto pela nova variante surgida em Manaus, não dá para aceitar encantamentos ao redor das filas de desesperados a espera de um leito de internação, ou mesmo morrendo sem ser atendidos. Querer carnaval em 2021 é achar pouco a avalanche de vidas perdidas diariamente, conforme o noticiário do horror.

As pessoas que desafiam as autoridades rompem com o sentido do bom senso, o respeito ao próximo, praticando a brutal irresponsabilidade coletiva na folia aglomerada. Tais indivíduos só merecem o castigo da lei. Não dá para turvar a visão sóbrea realidade desafiadora para a ciência e para cada um que presa pela vida, como um presente de Deus. Seria o mesmo que transformar os dias do carnaval num ritual de dança macabra infernal, praticada na Idade Média, que significava celebrar a Morte. No mundo civilizado de hoje seria uma vadiação sobre a dor dos milhões que perderam amigos, parentes e entes queridos.

O que o mundo quer hoje é salvar vidas. A humanidade há muito não se via diante de um mesmo desafio, independentemente de regime político. A ciência nunca na história fez tanto pela vida em tão pouco tempo. Os médicos, enfermeiros e demais profissionais da linha de frente nunca se entregaram, com riscos de morte, a uma causa tão dignificante – a de salvar doentes do coronavírus. Em 2020 o risco de morrer de covid-19 no Brasil foi mais de três vezes maior que no resto do mundo. Agora esse risco é maior ainda com a variante da covid19 surgida em Manaus, que se espalha com muito mais pode de infectar. Portanto, reclamar da suspensão do Carnaval é querer a dança macabra.

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