ELOGIADO ATÉ POR DARWIN: A IMPORTÂNCIA DE DOM PEDRO II NA SAGA DA CIÊNCIA NO BRASIL

Em um passado não tão distante, o país já foi ovacionado por seu interesse na área.

Criado em 1985, logo após o fim da ditadura militar no Brasil, o Ministério da Ciência e Tecnologia foi concebido com o dever de receber o “tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público”, segundo consta na atual Constituição Brasileira, de 1988 — que é uma das primeiras do mundo a dedicar um capítulo específico à ciência.

D. Pedro II em imagem colorizada - Creative Commons
D. Pedro II em imagem colorizada – Creative Commons

Desde então, o impulso significativo que a pasta recebeu foi dado a partir dos anos 2000, logo na virada do século, quando foi criado novas universidades federais e a expansão das já existentes.

Além disso, foi neste período que o programa Ciência sem Fronteiras começou a ser implantado, oferecendo bolsas de estudo para brasileiros estudarem e desenvolverem pesquisas no interior.

Em 2015, segundo artigo publicado no site do Senado Federal, o setor chegou ao seu auge. Porém, após essa crescente, a pasta só despencou, o que culminou com o encerramento do Ciência sem Fronteiras, em 2017.

Atualmente, o investimento em Ciência e Tecnologia vem sendo cada vez mais reduzido. Para se ter ideia, em 2015, R$13,97 bilhões deflacionados foram investidos na pasta. No ano passado foram apenas R$ 5 bi, valor próximo ao investido no ano de 2000.

Essa queda implicou em cortes em programas de bolsas tanto na pós-graduação, quanto na educação básica e em programas de fomento à pesquisa. Porém, esse desdenho pela ciência nem sempre foi assim.

Para reviver isso, no entanto, precisamos voltar aos tempos do Brasil Império, mais precisamente para a figura de Dom Pedro II.

Dom Pedro II em uma das pinturas oficiais / Crédito: Wikimedia Commons

Monarquia científica

Último imperador do Brasil, Dom Pedro II foi derrubado em um golpe militar que instituiu a República em 1889. Em sua época de reinado, o Magnânimo era conhecido, também, por seu amor às artes e à ciência.

“Nasci para consagrar-me às letras e às ciências”, registrou o monarca em uma página de seu diário em 1862. Antes disso, vale ressaltar, o desenvolvimento da ciência já havia sido iniciado por Pedro I, mas o seu ápice só foi atingido graças ao Segundo Reinado.

Dom Pedro II era o responsável pela seleção dos pedidos de patentes e invenções. Mas seu papel na área não se resumia a isso, foram além do Brasil, atingindo patamar internacional.

A importância do monarca também era reconhecida por grandes sociedades científicas, das quais ele se tornou membro, como: a Royal Society, da Inglaterra; as Reais Academias de Ciências e Artes da Bélgica; a Academia de Ciências da Rússia; Académie des Sciences, da França; e a Sociedade Geográfica Americana.

Além de tudo, Pedro também usava de recursos pessoais para financiar pesquisas, ajudando não só estudiosos brasileiros, como importantes estrangeiras. Para se ter uma ideia, em 1888, patrocinou a fundação do Instituto Pasteur, na França.

Anos antes, ele já havia iniciado contato com Louis Pasteur demostrando sua preocupação com a febre amarela. Foi nessa ocasião que passou a admirar o cientista, investindo na inauguração de sua entidade, a primeira no mundo a estudar as doenças infecciosas.

Charles Darwin, naturalista britânico/ Crédito: Getty Images

O inventor Alexander Graham Bell foi outro que contava com o respeito e admiração do monarca brasileiro. Os dois se conheceram na Exposição da Filadélfia, em 1876, onde o britânico apresentou uma de suas invenções: o telefone.

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