Grupo chinês desiste do Porto São Luís e a Cosan assume o empreendimento

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O grupo China Communications ConstructionCompanyLimited (CCCC), estatal do governo chinês, desembarcou no Brasil em 2016, com projeto de construir um Porto privado em São Luís, na área do complexo portuário do Itaqui. Seriam investidos R$ 2 bilhões. Esta semana, no entanto, grupo anunciou a venda de sua participação à Cosan, por R$ 720 milhões. Mesmo depois do lançamento da pedra fundamental, cujo ato festivo contou com dezenas de técnicos e empresários chineses, a batalha judicial travada pela empresa e moradores da área vizinha ao povoa Cajueiro não parou, emperrando o andamento do projeto.

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Depois de negociações quase finalizadas, veio o período de chuvas que atrapalhou a obra de terraplenagem da área do porto São Luís, prejudicada ainda pela pandemia da covid em 2020, retardando todo o cronograma.  Seria um condomínio multicarga, batizado de Porto São Luís, com potencial para quase dobrar a movimentação do porto público do Itaqui, na época o sexto do país, que encerrou 2017 com 19,1 milhões de toneladas operadas.

À frente do investimento, estava a CCCC, maior companhia de infraestrutura da China, em conjunto com empresas nacionais. Em setembro daquele ano, a CCCC comprou 51% de participação no negócio que foi idealizado dentro da construtora WTorre. Os 49% restantes foram divididos entre a WPR, empresa de infraestrutura de Walter Torre (com 24%), a Lyon Capital (com 20%, fundada por Paulo Remy, ex-presidente da WTorre) e minoritários (executivos com aproximadamente 6%).

Ao anunciar a passagem de comando do empreendimento que pertencia a TUP Porto São Luís, a Cosan (grupo nacional) prometeu ao mercado, a estratégia de investimentos, com nova estrutura, incluindo ainda criação de uma futura joint venture no ramo de mineração. No início do projeto, a estratégia seria abarcar também o ramo de ferrovia.

A dona do grupo Atlântico Participações assinou, com a São LuísPortCompany SARL, do grupo CCCC e com outros acionistas minoritários detentores de 49%, uma proposta vinculante para aquisição de 100% da TUP Porto São Luís, empresa detentora de um terminal de uso privado localizado em São Luís, no Maranhão, pelo valor de R$ 720 milhões.

Fora isso, a Cosan também assinou um memorando de entendimentos vinculante (MoU) com uma sociedade do Grupo Paulo Brito, fundador e controlador da Aura Minerals (AURA33), para a formação de uma joint venture para a exploração de minério de ferro, que deverá levar o nome de JV Mineração.

“Este MoU prevê que a Atlântico deterá 37% do capital total e controle compartilhado da nova companhia combinada, ou seja, 50% das ações ordinárias, da nova companhia combinada, após o aporte do Porto e de caixa, a depender de chamadas de capital pela administração da companhia”, afirmou a empresa.

Segundo a Cosan, a parceria permitirá a ingressão em um novo ramo de negócios.

“A JV Mineração será uma empresa integrada de mineração e logística, que possuirá, além do Porto, direitos de exploração de ativos minerários em três projetos minerais localizados no Estado do Pará, com potencial importante de reservas de minério de ferro, a serem escoados pelo porto em São Luís”, destacou a companhia.

Com início de operação previsto para 2025, o primeiro projeto mineral a ser explorado pela JV Mineração está localizado próximo a Paraupebas (PA), na região de Carajás, conectado ao Porto pela estrada férrea de Carajás.

“A exploração seguirá os mais altos padrões ambientais e de segurança, alinhados à estratégia de alocação sustentável de capital, suportada pelos princípios EESG do grupo Cosan”, finalizou.

A Cosan marcou para essa hoje uma teleconferência pública com o mercado para apresentar a transação. O horário do evento não foi informado.

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