Farelos na 3ª Via

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Se o objetivo do MBL e do Vem Pra Rua era mostrar força política comparando-se ao Sete de Setembro dos bolsonaristas nas ruas do país, fracassou domingo passado. Se, por outro lado, visava aproximação sorrateira da esquerda, no discurso do impeachment de Jair Bolsonaro, o fiasco foi maior.

A esquerda que não consegue se unir em qualquer proposta contra quem quer que seja também não acredita no quebrar de asas do MBL/VPR, maior responsável pelo golpe de 2016 e pelo bolsonarismo hoje no poder.

Movimentação na avenida Paulista durante o ato do dia 12 de setembro, promovido pelo MBL e VPR

Tentar hoje se unir à esquerda, ou a esquerda tentar tirar uma “casquinha” com os “meninos” do MBL seria o mesmo que tentar fazer rapadura de limonada. O Brasil mudou muito de 2016 para 2021.

A derrubada Dilma Rousseff pelo argumento das pedaladas fiscais só permitiu a fertilização do terreno para a Direta prosperar numa rapidez espantosa. Tão espantosa que colocou o bolsonarismo no centro do poder e dele a parição das forças que ousam confrontar a base da democracia brasileira (o voto) e os poderes da República, com o discurso farsante de que todos são corruptos, exceto quem apoia Jair Bolsonaro.

12.set.2021 – Manifestação conta com poucos participantes em Brasília
Imagem: Eduardo Militão/UOL

A principal resistência a comparecer ao movimento de domingo passado (12) saiu do PT, maior partido da esquerda, e de movimentos próximos ao petismo, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) — organizações adversárias do MBL e do VPR.

Uma pesquisa com os participantes do ato da Avenida Paulista mostra que a resistência é mútua: Enquanto 85% concordem que, “o impeachment de Bolsonaro depende de ampla aliança, da direita à esquerda”, 38% do MBL/VPR rejeitam participar de manifestação junto com o PT. E nesse cenário, o impeachment vai ficando para depois.

Analistas já tratam o fiasco do momento de domingo como uma articulação planejada para fortalecer o bolsonarismo. Como fracassou, quem saiu tocando fanfarreando foi Bolsonaro.

Nem a presença de bilionários no movimento serviu para animar a ideia da tal 3º via, até agora apenas um sonho de primavera. E mais: não será fácil quebrar a corrente da bipolaridade entre Lula e Bolsonaro com o discurso da 3º via, seja com Ciro Gomes, com Amoêdo, Luiz Mandetta ou João Doria.

O lema “nem Lula, nem Bolsonaro” não passa de uma pregação no deserto da crise do prato vazio e a barriga roncando.

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