GT da FIEMA “Pensar o Maranhão” discute Energia em seminário Arco Norte

Fiema – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), por meio do Grupo de Trabalho “Pensar o Maranhão”, coordenado pelo vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando Renner, promoveu no início de setembro, na Casa da Indústria, a terceira rodada do Seminário Técnico do Projeto Arco Norte.

“O simpósio teve como objetivo colher informações sobre estágio atual e potencialidades dos segmentos de Energia, no âmbito dos estudos sobre o Arco Norte, de responsabilidade dos consultores da FIEMA, Allan Kardec Barros, professor da UFMA e ex-diretor da ANP, e Ronaldo Carmona, professor da Escola Superior de Guerra. Esse é o penúltimo seminário com discussões de temas específicos. Já trabalhamos temas como Indústria, Logística e Infraestrutura. Esse é um projeto de grande envergadura e a nossa perspectiva é produzir resultados significativos não só para o GT, onde nasceu a proposta, mas para todo o Estado”, enfatizou Renner ao realçar a importância de pensar e planejar o futuro desse importante setor industrial.

“O tema energia foi um dos mais importantes desse seminário. Contamos aqui durante dois dias com consultores, empresários e gestores de grandes indústrias do setor. Abordamos temas como o petróleo, o gás e novas fontes de energia limpa. O Maranhão não pode ficar para trás nesse que é um setor fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado e que possui potencial para atrair novos projetos industriais”, destacou o presidente da FIEMA, Edilson Baldez.

O seminário foi dividido em dois dias e contou com a presença do diretor da TGS Brasil, João Correa; da relações institucionais da Eneva S/A, Aline Louise; da diretora da AgroSerra, Cintia Ticianelli; além do pesquisador, ex-presidente da Gasmar e consultor, Arthur Cabral, e do consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jurandir Picanço.

O diretor da TGS, João Correa falou sobre o potencial em Petróleo e Gás do Maranhão: desafios para torná-lo realidade. “Precisamos formar uma rede acadêmica de alto nível capaz de dar respostas aos desafios técnicos e ambientais da bacia do Pará- Maranhão que não foi estudada a contento. É mais que evidente a existência de um enorme potencial para exploração de hidrocarbonetos na Margem Equatorial Norte Brasileira e essas riquezas resultariam em expressivos avanços para a economia do país e constituiriam um forte vetor para o desenvolvimento regional. Não se pode ignorar os fortes argumentos ambientais que vêm impedindo a avaliação deste potencial. O Estado, a indústria e a sociedade devem construir uma solução capaz de promover a exploração sustentável destas riquezas”, destacou João em sua fala.

A relações institucionais da Eneva S/A, Aline Louise, abordou a bacia gasífera de Parnaíba, suas características, produção atual, logística e destinação da produção, além dos desafios para o aumento da produção, incluindo formas não convencionais e a possiblidade de aproveitamento para consumo industrial.

“A Eneva é uma empresa com muitos anos de atuação no Maranhão. As novas descobertas de Gás Natural estão permitindo a empresa desenvolver novos modelos de monetização e o GNL é uma alternativa mais econômica e limpa que trará benefícios substanciais ao Estado”. Segundo Louise, a empresa negocia “projetos âncoras” nas principais regiões industriais do Maranhão para viabilizar o negócio.

A diretora da AgroSerra, Cintia Ticianelli, abordou em sua palestra os biocombustíveis e o etanol na transição energética. Desafios para ampliar a produção no Maranhão. Para Cintia, a transição energética para economia de carbono modifica o uso da energia. “ A matriz energética brasileira possui grande participação de renováveis e o país possui políticas públicas estruturantes em biocombustíveis e é um importante líder mundial na transição energética, além de ter um grande potencial de cooperação internacional em biocombustíveis”, destacou Cintia ao enfatizar que, das seis (06) indústrias associadas ao Sindicanalcool, três (03) já possuem certificado no RenovaBio e que só em 2020, o etanol evitou a emissão de 198 mil toneladas de CO2eq no Maranhão.

No segundo dia do seminário, o consultor e ex-presidente da Gasmar, Arthur Cabral, desenhou o setor de energia no Maranhão: com um diagnóstico das diversas fontes e desafios a sua utilização para o desenvolvimento industrial do Estado.

Para Cabral “o consumo vem aumentando e as fontes de energia, eletricidade, petróleo, gás e biocombustíveis estão dando lugar para energias renováveis, além da energia eólica e solar. Creio que essa contribuição que a FIEMA está dando ao Estado e aos próximos governos é muito importante para que tenhamos uma linha de desenvolvimento muito clara. Sem energia não conseguiremos trazer o desenvolvimento que tanto se almeja ao Estado e é necessário que esse planejamento seja feito a longo prazo porque energia não se resolve de uma hora para outra. E a FIEMA está de parabéns por esse trabalho que está sendo feito aqui”, destacou o consultor.

O seminário foi encerrado pelo consultor de Energia, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Jurandir Picanço que por videoconferência falou sobre as expectativas do Ceará de tornar-se hub de hidrogênio verde.

Segundo Picanço, para atingir o objetivo do Acordo de Paris, é necessário descarbonizar grande parte do sistema energético mundial. Para tanto, uma quantidade significativa de fontes renováveis de energia precisa ser instalada e integrada, e setores que demandam energia, como o transporte e a indústria, precisam  ser descarbonizados em grande escala.

Para o consultor da FIEC, o Nordeste com seu potencial de energias renováveis, eólico e solar, em quantidade e qualidade ideais para produção do H2V (hidrogênio verde), destaca-se no cenário mundial. “O Brasil, por deter o gigantesco potencial para produção de energia, tem grande oportunidade de se transformar em importante player do novo mercado bilionário de H2 de baixo carbono, produzido a partir de energias renováveis, haja visto que muitos países não têm potencial de energias renováveis para atender suas demandas e o H2V pode ser armazenado e transportado de regiões produtoras para regiões consumidoras. Ele substituirá os combustíveis fósseis na maioria das aplicações e é sem dúvidas o combustível e vetor energético do futuro”, destacou Picanço.

O seminário contou ainda com a presença do diretor regional do SENAI, Raimundo Arruda, do superintendente da FIEMA, César Miranda, do vice-presidente executivo da FIEMA, Celso Gonçalo e do coordenador de Ações Estratégicas da FIEMA, José Henrique Polary.

A reunião de trabalho aconteceu na dinâmica de debate, baseado em questões direcionadas aos convidados, e de outros questionamentos formuladas pelos técnicos do projeto e membros do seminário.

O último seminário do Arco Norte acontece em Balsas no próximo dia 17/09, onde será discutido o Agronegócio, tema tão importante para o desenvolvimento do Maranhão.

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