Absorvente na política

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O Brasil, inacreditavelmente, vive uma escalada de fatos inusitados que chocam o mundo e nos envergonha aqui dentro. Por exemplo, um projeto que determina a distribuição gratuita de absorventes a estudantes pobres e mulheres situação de vulnerabilidade, como moradoras de rua e presidiárias, virou crise política.

O presidente Bolsonaro vetou a proposta, alegando falta de recursos no orçamento. A autora não indicou a fonte do dinheiro. Pronto, virou a crise do absorvente na política e ganhou repercussão internacional. Em Paris, na França, a embaixada brasileira teve a fachada “decorada” com centenas de absorventes.

Ato em embaixada do Brasil em Paris usa absorventes para protestar contra Bolsonaro
Imagem: Coletivo Alerta França Brasil/MD18 Ubuntu Audiovisual

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), especialista em mídia virtual e fake news, atacou a colega de Câmara, Tábata Amaral (PSB-SP).

Domingo ele soltou uma fake segundo a qual a deputada teria criado o “PL dos Absorventes” como lobista do bilionário Jorge Paulo Lemann, “um dos donos da produtora de absorventes P&G”. A empresa venceria licitações para vender o produto “de baixa qualidade” ao governo federal.

Deputada Tabata Amaral (PDT-SP) autora do Projeto de Lei 428/20, cujo objetivo principal é a oferta de absorventes higiênicos em espaços públicos.

Foram duas mentiras embutidas numa só postagem em redes sociais. A autora do projeto é a deputada Marília Arraes (PT-PE), apoiado por outros 34 colegas, entre elas Tábata Amaral.

Quanto a Paulo Lemann, também não é “um dos donos da produtora de absorventes P&G”, empresa transnacional de capital aberto. Lemann pode, no máximo, ser acionista da gigante americana, símbolo do capitalismo neoliberal, defendido pelo clã Bolsonaro.

Porém, pressionado, no domingo passado, Jair Bolsonaro garantiu que vai viabilizar um projeto que prevê a distribuição gratuita dos protetores femininos.

No Maranhão, o governador Flávio Dino se antecipou e decretou a distribuição gratuita de absorventes a 163 mil jovens de escolas públicas do estado e a mulheres vulneráveis. Ele espera que o Congresso derrube o veto de Bolsonaro.

Saindo na contramão do debate, o colunista bolsonarista Rodrigo Constantino zombou no twitter de pobreza menstrual: “Chicobras, o sangue é nosso”, uma chacota de mau gosto, adaptada ao logotipo da Petrobras. Constantino, segundo a revista Fórum, é um machista desnivelado, já disse que castigaria a própria filha se ela fosse estuprada e usou termo chulo, que liga menstruação à “porquice”.

Este é o País que nos faz corar de vergonha a cada “debate” para tanger o povo do essencial, até às urnas de 2022.

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