Pátria armada

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O Brasil, garbosamente chamado de “país do futuro”, há décadas busca de tornar-se uma potencia mundial, mas quase sempre se perde no caminho.

É como potência do futuro que tem perdido posições no ranking de desenvolvimento humano. Enquanto o seu agronegócio avança como segundo maior produtor de alimento do Planeta, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da China, a sua imensa riqueza do campo não consegue ajudar a reduzir as desigualdades sociais e o tamanho do contingente atingido pelo desemprego, a pobreza extrema, a fome e a desesperança.

agronegócio avança como segundo maior produtor de alimento do Planeta

É o maior exportador de carne do mundo, mas o consumo interno do produto está em queda livre em razão do preço. O Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial de produção e de exportação de petróleo, mas os preços dos combustíveis são os mais elevados. Tal dependência crônica externa não se abalou nem com as gigantescas reservas do Pré-sal.

Pelo contrário: a Petrobrás tem sido um ativo brasileiro cada vez mais perto de ser privatizado. Resumo da ópera: cada vez mais que o país produz petróleo e carne, mas os preços se tornam alimentadores da inflação, que massacra a pobreza.

Petrobrás tem sido um ativo brasileiro cada vez mais perto de ser privatizado

No dia 12, terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro resolveu comparecer às celebrações católicas na basílica de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Embora num local prioritário em razão do cargo, Bolsonaro disse não ter ouvido a fala do arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, durante a missa. O religioso fez uma homilia dirigida a Bolsonaro, sem citá-lo.

O arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, durante a missa fez uma homilia dirigida a Bolsonaro

“Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade”.

Bolsonaro, que foi à missa, de surpresa, em companha do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, para demonstrar que ele não está na “fritura”, depois de reclamar da “desconsideração” com o corte de 82% no orçamento de sua pasta, deixando-o quase sem dinheiro para nada.

E sobre as palavras duras do Arcebispo Orlando Brandes, o presidente tangenciou: “Se eu me lembro, ele não falou nada lá dentro, só se eu comi mosca”.

É assim que ele vai governando o Brasil, tirando o corpo fora dos problemas essenciais da inflação, da disparada dos preços dos alimentos e do número de famintos, enquanto a indústria de armas vive o melhor momento, assim como as importações. Será esse o futuro do Brasil?

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