Terra em transe

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Até hoje, a menos de 12 meses das eleições gerais, a disputa da Presidência da República permanece bifurcada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual ocupante do Planalto, Jair Messias Bolsonaro (sem partido).

O DEM e o PSL se tornaram um só partido, batizado de União Brasil, com o objetivo de viabilizar um nome de centro para atrair o eleitorado que não votarão em Bolsonaro nem também em Lula – a tão falada 3ª via. Mas é inevitável que tal 3ª via acabe virando 4ª, 5ª ou 6ª via diante da dificuldade de achar quem enfrentará as duas pré-candidaturas já consolidadas.

O PSDB, que tomou conta do Estado de São Paulo, vencendo sete eleições sucessivas de governador, encontra-se rachado na indicação do nome para concorrer ao Palácio do Planalto. Já expondo a fissura entre o governador João Doria e seu colega do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o PSDB está numa encruzilhada de difícil definição de rumo.

A guerra fraticida no ninho tucano paulista é apenas uma de tantas batalhas travadas entre quase todos partidos ou agrupamentos interessados na sucessão de Jair Bolsonaro.

Até o PSB, abrigo atual do governador Flávio Dino, já impõe condições rígidas para compor aliança com o PT e apoiar a candidatura de Lula. Tais exigências saem da corrida presidencial e ganha contornos locais em alguns estados. O fator condicionante do PSB já foi informado a Lula pelo próprio presidente da legenda, Carlos Siqueira.

Das conversas no último dia 5, o PT sinalizou disposto a apoiar o PSB nas eleições de Pernambuco, Rio e Espírito Santo. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul, porém, a cúpula petista está reticente em abrir mão de uma candidatura própria.

No alto comando do PSDB, o clima é de guerra pela indicação de quem ganhará a indicação para concorrer em 2022, nas prévias marcadas para 21 de novembro. No último domingo (17), os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) voltaram a trocar farpas, agitando as hostes tucanas.

O gaúcho foi a São Paulo tentar invadir redutos fieis a Doria. Aproveitou para estocar o paulista. “Negar participação no debate e lançar suspeitas à forma de votação é coisa do bolsonarismo. Espero que não volte o BolsoDoria”, ironizou Leite.

Doria suspeita que o programa que vai definir o candidato, aberto na internet, é vulnerável a fraudes. Com isso, os solavancos no ninho tucano só se comparam ao grupão liderado no Maranhão por Flávio Dino. Já são várias correntes, cada qual como pretensão pessoal em sua cadeira.

A diferença é que, ao contrário dos tucanos, os flavistas estão seguindo caminhos próprios, cada qual levando um pedaço do todo: Weverton Rocha, Carlos Brandão, Josimar do Maranhãozinho, Edivaldo Júnior, Simplício Araújo e Felipe Camarão seguem divididos e misturados, sonhando com o Palácio dos Leões. Até quando? Só Deus sabe.

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