CPI sacode Brasília

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Para o senador Flávio Bolsonaro, o seu pai, presidente da República, recebeu com uma sonora gargalhada, a notícia do indiciamento por nove crimes, imputados a ele, no relatório da CPI da Pandemia. O filho chegou a imitar a gargalhada do pai, perante os jornalistas.

Em resposta, o senador Amor Aziz, presidente da CPI, lembrou que Bolsonaro “deu gargalhada na falta de ar, imitando o roncar dos quem sofria sem oxigênio, gargalhou quando mandou a mãe comprar vacina” e chamou de mimimi quando havia cobranças empenho do governo no combate a pandemia, desde seu começo em 2022. Até na Assembleia da ONU, Bolsonaro defendeu o tratamento precoce (com cloroquina).

CPI da Covid
Senador Renan Calheiros apresenta o relatório final da CPI da Covid no Senado| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Como toda CPI vira polêmica pesada entre indiciados, acusados e denunciados,não é diferente na que investigou as omissões, a falta de empatia, de comprometimento, de respeito às vítimas e os que se envolveram em tenebrosas negociatas nas compras de vacinas.

Perante os jornalistas, Aziz se dirigiu a Bolsonaro: “A gente tem respeito pelo cargo, vossa excelência tenha certeza que não vamos permitir que nenhum cidadão, seja que autoridade for nos fará engavetar o relatório”. Para Renan Calheiros, “a CPI enterrou o discurso sobre tratamentos ineficazes e foi a única no mundo a comprovar as digitais de um presidente da República na morte de milhares de cidadãos”.

Não foi nada disso que os apoiadores do presidente Bolsonaro viram. O senador Jorginho Mello (PL-SC) disse que a Comissão não tem ‘escopo’ para imputar crime ao presidente Jair Bolsonaro. “Seis meses de trabalho, tanta empresa quebrando, reforma tributária parada (…) e ficamos aqui, encontrando narrativas para imputar crimes”.

Já o seu colega Marcos Rogério (DEM-RO), bolsonarista da chamada “tropa de choque”, argumenta que o relatório leva a crer que “foi o governo federal que inventou a pandemia e causado as mortes. Na visão deles, não foi a covid-19 que matou, foi o presidente da República. Algo, assim, minimamente, irresponsável”, atacou.

Deixando o confronto de governistas e opositores do governo, a CPI trouxe à luz fatos escabrosos ocorridos durante toda a pandemia, que jamais chegariam ao conhecimento da população se não fossem essas investigações. Foram seis meses esmiunçando comportamentos de autoridades do ministério da Saúde, do presidente da República, negócios envolvendo transações espúrias nas compras de vacinas.

Se por acaso, houver extrapolações no capítulo sobre indiciamentos, os próprios acusados terão o direito de se defender, dentro das regras legais e democráticas. Mas que foi válido, claro que sim. Mostrou que, numa pandemia como a da covid, com mais de 600 mil mortes no Brasil, ninguém tem o direito de aproveitar tamanha tragédia para ser leviano, omisso, corrupto e corruptor.

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