Maioridade esquelética

Por Raimundo Borges
O Imparcial.- O programa Bolsa Família completou ontem 18 anos, mas sua maioridade chega em meio a uma grande polêmica. Vai ser rebatizado de Auxílio Brasil, pelo presidente Jair Bolsonaro e ter o valor de R$ 180, em média, aumentado para R$ 400.

Um salto e tanto não fosse a montagem de uma escada para fazer o chefe do Palácio do Planalto sair da estagnação nas pesquisas eleitorais para um patamar que o aproxime do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criador do programa quando comandava o governo, no primeiro mandato.

Em plena pandemia do coronavírus, tentar transformar um programa social em plataforma política é um equívoco. É novamente deixar de lado o essencial da crise, que é buscar mecanismo de fortalecer a economia, fazer gerar empregos e renda os 14,4 milhões sem trabalho e outros milhões desalentados, para repetir a chamada “Velha Política”.

Até agora nenhuma autoridade federal responsável pela economia disse qualquer palavra sobre as imagens chocantes exibidas pelas mídias, de pessoas buscando comida em caminhão do lixo, ossos sendo disputados nos açougues, além de fome e anemia entre as crianças e suas famílias. Tudo isso visto como algo “natural”.

Para Lula, em entrevista a rádio baiana “A Tarde” a promessa do auxílio emergencial de R$ 400 proposto pelo governo às vésperas das eleições de 2022, com prazo de vigência exatamente no ano eleitoral é preocupante, mas deve ser feito. Ele diz que a tese de rechaçar o auxílio por ter finalidades eleitorais não pode ser aceita.

“Estou vendo o Bolsonaro dizer agora que vai dar R$ 400 de auxílio. Tem gente dizendo que é auxílio eleitoral, que não podemos aceitar. Não penso assim”, disse. Ele quer que Bolsonaro dê os R$ 400. “Ah, ele vai tirar proveito político”. Pode ser, “mas isso é problema dele”, completou Lula.

Em meio a tanto debate e à crise econômica, o ministro Paulo Guedes avalia se o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família será pago fora do teto de gastos do governo.

A medida demandaria licença para um gasto acima de R$ 30 bilhões; ou se haverá opção por uma mudança na regra constitucional para acomodá-lo. Seja qual for a solução, não será feita sem passar pelo Congresso, onde os parlamentares colocaram a babilônica soma de R$ 16,2 bilhões no orçamento de 2022 para envernizar suas campanhas eleitorais.

Enquanto isso, o Brasil já conta 604 mil mortes de covid e a inflação disparando na frente da miséria, cada dia engolindo as esperanças e as energias da população da fila do osso.

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