Rumo ao vinagre

Por Raimundo Borges
O Imparcial – No momento em que a pandemia do coronavírus no Brasil apresenta números mais satisfatórios desde o começo da crise em 2020, a aguardada “arrancada” da economia é retardada mais uma vez. E mais uma vez, a semana começou ontem com novo aumento no preço dos combustíveis, abrindo outra vez a janela do debate insano sobre a privatização da Petrobras.

Seria a discussão válida para reanimar os endinheirados e conter a fuga dos investimentos no Brasil. Tudo na carona da onda que já anuvia a economia americana, com sinal de desabastecimento em alguns setores da indústria.

O cenário é um balde de água fria no planejamento da indústria e do comércio para encerrar ano de 2021 dando sinal positivo de recuperação. Afinal, os números da vacinação, do contágio e das mortes por covid19 estão animadores com nunca. Tudo está voltando à normalidade, mas os indicadores de inflação, taxas de juro e falta de matéria-prima na indústria brasileira, atrelada às importações, não melhoram o humor de nenhum empresário.

O presidente Jair Bolsonaro resolveu colocar o ministro Paulo Guedes a tiracolo para mostrá-lo firme no posto, embora a realidade conspire contra os dois.
“Estamos indo para o vinagre”, tascou o economista Felipe Salto, diretor-executivo da IFI, a Instituição Fiscal Independente do Senado Federal, para avaliar o atual momento da economia do país.

A IFI tem a função de ajudar os parlamentares a monitorar o orçamento do governo. É um tipo de instituição espalhada mundo afora, e nas nações de língua inglesa, são chamadas de “cães de guarda” das contas públicas. No Brasil, essa função apesar de relevante, mas pouca importância tem sido dada ao desempenho dos “cães do cofre”.

A semana passada terminou com o dólar batendo em R$ 5,70 e quatro secretários do alto escalão do Ministério da Economia pedindo demissão. Foi o desfecho do anúncio do governo Bolsonaro de desrespeitar o teto de gastos em mais de R$ 80 bilhões, levando às alturas o pessimismo que já anda acabrunhando a economia.

Os economistas são unânimes em acreditar que o rombo no teto dos gastos para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400, novo nome do Bolsa Família, não passa de uma clara adubação do terreno eleitoral de 2022, para reverdejar o ambiente social e brotar votos na reeleição de Jair Bolsonaro, em queda livre nas pesquisas.

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