Cinzas de Arthur Almada serão lançadas no morro onde ele brincava na infância

Por Raimundo Borges
Membro da ACL e do IHGC
Ainda na tarde de 4ª feira, o corpo do desembargador aposentado, escritor e educador Arthur Almada Lima foi cremado na Pax União, no bairro da Maioba. As cinzas, a pedido dele, manifestado há muito tempo, serão lançadas no Morro do Araim, perto da BR-316. O local era onde Arthur brincava com irmãos e amigos na infância, que ele viveu no bairro Ponte. Até hoje o casarão da família Almada, de estilo arquitetônico histórico, à beira do Riacho Inhamum, permanece bem preservada.
Arthur Almada Lima, falecido na última quarta-feira, 27 de outubro | Foto: Luís Borges

Arthur foi vítima de problemas cardiorrespiratórios, faleceu na madrugada de 4ª feira, em São Luís, o professor Arthur Almada Lima Filho, escritor, pesquisador da História e da Cultura caxiense. Foi também fundador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias. Há dez dias, ele completou 92 anos, mas levou uma queda em Caxias ao descer do carro e fraturou a bacia e sua situação de saúde se agravou.

Ainda em Caxias, seu estado de saúde agravou-se e ele foi transferido para o Hospital São Domingos, em São Luís, onde passou por exames, quando foi constatado que havia hemorragia interna. Os médicos conseguiram estancar, mas foi por pouco tempo. Depois de ligeira melhora, chegou a voltar para casa, mas terça-feira seu estado piorou, retornando ao hospital, onde não resistiu às tentativas de recuperá-lo. Morreu com problemas cardiorrespiratórios.

Como juiz de direito, Artur Almada Lima chegou a ser colocado em disponibilidade no regime militar de 1964, tendo, posteriormente, recuperando na Justiça, o direito de voltar à magistratura. Nesse período ele foi diretor do Jornal O Imparcial, a convite do jornalista José Pires de Saboya. No começo da década de 1970, quando assumiu a direção da empresa Pacotilha, Arthur Almada ainda dividiu as funções com o jornalista e superintendente Adirson Vasconcelos.

Almada Lima foi diretor do Jornal O Imparcial, no final dos anos 60, a convite do jornalista José Pires de Saboya. Na foto, com o atual diretor de Redação, jornalista Raimundo Borges | Foto: Luís Borges

Foi à época em que o jornal dos Diários Associados experimentou enormes avanços editoriais e gráficos. Almada Lima Filho saiu do jornal, foi eleito e nomeado pelo governador Nunes Freire, presidente da Federação das Escolas Superiores do Maranhão (Fesma), cuja instituição foi posteriormente transformada na Universidade Estadual do Maranhão.
Mesmo assim, Almada Lima continuou por muitos anos dando a sua contribuição a O Imparcial até o seu retorno à magistratura, sendo eleito desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão, cargo no qual foi aposentado. Mas a aposentadoria não o colocou fora da atividade que ele mais exerceu na vida: de educador tanto em Caxias, sua terra natal, quanto em outros municípios. Tinha a imensa grandeza de espírito, de luta pela educação, pelas suas ideias e pelas pesquisas, as quais ele deixa um imenso legado.

No dia em que Arthur Almada Lima completou 92 anos, em 19 deste mês, o escritor e acadêmico Edimilson Sanches, um dos intelectuais mais próximos do aniversariante, escreveu uma crônica em que disse: “Arthur Almada Filho, homem acusado em inquérito policial militar de ser invulgarmente culto” além de ser “perigosamente inteligente”. Sanches relatou que ele passou o aniversário internado em hospital, se recuperando de um ‘susto’ da queda e de uma bronquite quase simultânea.

Almada Lima (no centro) cercado pelos membros do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias | Foto: Luís Borges

Para Edimilson Sanches, Arthur Almada Lima Filho passou por uma situação incomum ao “ser indiciado num inquérito policial militar (IPM), quando na época (da ditadura militar) o destemido caxiense era um intimorato juiz de direito em são Luís, quando chegou a ser ameaçado de morte a pauladas”. No relatório estrambelhado do tal inquérito, que Arthur Almada nem gostava de falar sobre, foi classificado pelos investigadores de “invulgarmente culto e perigosamente inteligente”.

Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, fundado por Almada Lima | Foto: Reprodução Internet

Não sem motivo, Almada Lima era membro fundador da Academia Caxiense de Letras; criador, fundador e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias, o qual foi instalado na antiga estação do trem São Luís-Teresina, num dos projetos mais garbosos do Maranhão. Ele deixa cinco filhos e nove netos e viúva (em segundas núpcias), a professora universitária Antônia Miramar Alves Silva (UEMA).

Nota de Pesar

Em nota, a Universidade Estadual do Maranhão manifestou profundo pesar pelo falecimento do professor emérito ARTHUR ALMADA LIMA FILHO, ocorrido na manhã desta quarta-feira, 27 de outubro.

“Nascido em Caxias-MA em 1929. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Luís em 1955. Foi Promotor de Justiça nas Comarcas de Brejo e Chapadinha. Exerceu o cargo de Juiz de Direito nas Comarcas de Chapadinha, Timon, Brejo, Viana, São José de Ribamar, Caxias e São Luís. Em 1995, foi nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão. Foi ainda Vice-Presidente e Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão no período de 17/03/1997 a 17/03/1999.

Foi presidente da Federação das Escolas Superiores do Maranhão(FESM) de 1974 a 1976. Foi fundador e primeiro diretor da Escola de Administração do Maranhão. Foi fundador e era presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias.

Professor ALMADA LIMA contribuiu decisivamente para a criação e consolidação da Universidade Estadual do Maranhão, assumindo sempre posições firmes em defesa da autonomia universitária. Exemplo de companheirismo, cordialidade e de dedicação ao trabalho, deixa um legado singular ao ensino superior, à história e à cultura do Maranhão.

A UEMA solidariza-se com familiares e amigos enlutados pela irreparável perda.

São Luís, 27 de outubro de 2021.
Prof. Gustavo Pereira da Costa

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