Investigação pode colocar Lira no centro do ‘maior escândalo do Brasil’, diz Renan; entenda

Carta Capital – O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, insinuou nesta quinta-feira 28 que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), está preocupado com o avanço de investigações sobre o chamado ‘orçamento secreto’, composto pelas emendas de relator e que turbina os gastos para indicações de parlamentares aliados ao governo de Jair Bolsonaro.

“Eu acho que o presidente da Câmara… Ele tem muita preocupação com o que pode vir de investigação, sobretudo em relação ao RP9, que são emendas secretas que ele coordena e isso vai causar, talvez, o maior escândalo do Brasil”, disse Renan após entregar o relatório da comissão ao Tribunal de Contas da União.

Também chamado de “tratoraço” por envolver a compra de tratores, o esquema do orçamento secreto tem ajudado Bolsonaro a manter uma base fiel no Congresso Nacional e escapar de processos de impeachment. Bilhões de reais foram distribuídos a um grupo de deputados e senadores que determinaram o que fazer com o dinheiro, sem qualquer critério técnico ou transparência.

Lira foi um dos congressistas que mais puderam direcionar fatias dos 3 bilhões de reais do “orçamento secreto”. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, ele ganhou no ano passado o direito de encaminhar, de acordo com os seus próprios interesses, 114,6 milhões de reais para obras e compras de máquinas pesadas.

As críticas de Renan a Lira têm, porém, outro componente. O presidente da Câmara atacou publicamente a decisão da CPI de incluir deputados no relatório.

“Para mim é motivo de grande indignação, como presidente da Câmara e como cidadão brasileiro, tomar conhecimento das conclusões encaminhadas pelo relator da CPI”, afirmou Lira, no plenário. “É inaceitável a proposta de indiciamento dos deputados desta Casa no relatório daquela comissão instituída com a finalidade de apurar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia.”

Eis os deputados que constam do relatório da CPI:

  • Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara
  • Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho de Jair Bolsonaro
  • Bia Kicis (PSL-DF)
  • Carla Zambelli (PSL-SP)
  • Osmar Terra (MDB-RS)
  • Carlos Jordy (PSL-RJ)

O relatório atribui aos seis deputados a prática de incitação ao crime. Barros ainda é citado por advocacia administrativa, enquanto Terra é acusado por epidemia culposa com resultado de morte.

“Estou tratando da imunidade dos parlamentares por sua opinião e por seus votos como dimensão ampliada dessa mesma liberdade”, acrescentou Lira. “O parlamentar, seja ele qual for, de que partido for, de que ideologia for, deve gozar da mais ampla liberdade de expressão.”

Segundo Renan, porém, Lira não pode tentar interferir nos desdobramentos da CPI. “O papel dele é defender a Casa, não é defender a impunidade. Que os parlamentares que foram pegos com as suas digitais no crime, eles não possam eventualmente ter sugerido o indiciamento para punição? Ele não pode fazer isso.”

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