Pontos nos is

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Conversar e pedir votos para a Academia Maranhense de Letras (AML), num colégio eleitoral de 35 membros, é totalmente diferente do que trocar ideias sobre a conjuntura eleitoral do Maranhão em 2022, num universo de quase de 5 milhões de eleitores.

Portanto, muitos políticos e pessoas desinformadas andam fazendo confusão sobre o encontro, no dia 5 passado, do governador Flávio Dino com o ex-presidente José Sarney. Ele foi à casa do ex-adversário, mas como candidato à Academia Maranhense de Letras.

Sarney é membro da Casa de Antônio Lobo desde os 20 anos, portanto tem na instituição uma forte “bancada” de intelectuais que galgaram a posição no mais consagrado ambiente de escritores maranhenses, graças à sua benevolência.

Não foi diferente, com o advogado, escritor, ex-deputado e ex-prefeito de João Lisboa, Sálvio Dino, um dos deputados cassados pela ditadura militar de 1964 no Maranhão. Logo, ao procurar Sarney como candidato à AML, Flávio Dino foi pedir seu voto por reconhecer a importância do apoio do ex-presidente a seu pai, falecido em 2020 de covid19, cuja cadeira 37 ele disputou e foi eleito no dia 17, por 25 dos 35 votos da Casa.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, Sarney e Flávio Dino trocaram ideias sobre uma possível aproximação do PSB de Dino com o MDB dos Sarney. No entanto, o próprio Flávio Dino informou aos membros da Academia de Letras, num encontro de praxe, logo após ser eleito, que na conversa com Sarney não fluiu na direção de análise política ou eventual aproximação dos partidos de ambos.

Portanto, não passa de especulação a tal aliança MDB/PSB nas eleições de 2022. Seria, no mínimo, estranho, mesmo sendo a política a arte das travessuras.

Em conversa com o jornalista e escritor Benedito Buzar, ex-presidente da AML, com quem tem estreita e longa relação de amizade, Sarney disse que não tratou de política com Flávio Dino. A conversa, na qual Dino compareceu sozinho ao Apartamento do ex-presidente, foi toda relacionada à AML e literatura, tema preferido de Sarney.

Ele achou boa a ideia de Dino concorrer à cadeira do pai, Sálvio Dino e, talvez, por isso, o governador tenha capitalizado, com folga, a votação que necessitava ingressar na Casa de Antônio Lobo. Sarney considerou ainda a juventude e o talento de Dino, importantes para a Academia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *