Veneta da direita

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Nem que quisesse, o presidente Jair Bolsonaro passaria despercebido em Nova Iorque, onde comeu pizza na rua, ou em Roma, o menor país do planeta, o Vaticano, com apenas 0,44km e 800 habitantes, uma teocracia.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a ser alvo de protestos em Roma

O Estado “divino” comandado pelo Papa Francisco presenciou cenas deprimentes de um chefe de Estado da dimensão continental do Brasil. NO Estado teocrático, absolutista como o Vaticano, cercado pela Itália, Jair Bolsonaro ganhou manchetes da imprensa mundial da pior maneira.

Jornalistas foram empurrados e esmurrados por seguranças e xingados pelo presidente da República, que foi à Roma, não viu o Papa, nem presenciou a reunião de cúpula dos líderes das maiores economia do mundo (G-20).

O “sucesso” de Bolsonaro se deu nas ruas de Roma e na embaixada do Brasil, ao lado do Vaticano. Lá ele se encontrou com direitistas italianos, repetiu duas aversões à imprensa ao responder jornalistas brasileiros que queriam saber por que ele não participou do G-20.

A resposta foi outra pergunta odienta: “Você é da Globo? Há, não tem vergonha na cara?”. No encontro de líderes, Brasil foi representado por uma missão do governo, mas não pelo presidente. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que Bolsonaro preferiu não comparecer para não ser apedrejado. Não disse por quem ele seria hostilizado.

Além dos costumeiros arregaços com jornalistas aonde quer que vá, Bolsonaro pôde também ser paparicado com o título honorário de Cidadão do vilarejo italiano de Anguillara Veneta. É um recanto da extrema direita da Itália, de onde Jair Messias herdou de antepassados, o sobrenome Bolsonaro.

Com essa cidadania, o presidente se tornou o mais recente símbolo da disputa histórica entre a extrema direita e a extrema esquerda Italiana. A prefeitura de Veneta é comandada por políticos de extrema direita.

O ato provocou a ira de esquerdistas italianos. O prédio da prefeitura acabou sendo depredado até com fezes, por ambientalistas como “resposta” à homenagem.

Mesmo ausente do encontro “para não ser apedrejado”, Bolsonaro críticas de diversos grupos de esquerda na Itália por outros motivos.

O desmatamento da Amazônia e as acusações da CPI da Covid contra sua gestão da pandemia, todas refutadas pelo presidente. Inclusive no vídeo que enviou com antecedência à organização do encontro.

Mas o que Bolsonaro tem a ganhar com todo esse imbróglio? Receber homenagem de uma liderança política conservadora, por menor que seja a importância, traz embutido o simbolismo de energizar a base radical no Brasil. É combustível para manter a militância engajada. Até de Veneta, cuja palavra em português é traduzida como “acesso repentino de loucura”.

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