O fator Sérgio Moro

O Imparcial – O presidente Jair Bolsonaro tem motivo de sobra para estar preocupado tanto com a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a do ex-juiz Sério Moro, que esta semana oficializou o Podemos como sua filiação. Enquanto isso, o ocupante do Planalto segue sem encontrar uma legenda de seu perfil ideológico, na qual ele seja não apernas mais um filiado, mas sim, o mandachuva.

Sérgio Moro tão logo abandonou o governo no final de 2020 foi contratado como advogado da empresa estadunidense de consultoria Alvarez & Marsal. No final de outubro de 2021, rescindiu o contrato, para se filiar ao partido PODE e ser candidato à presidência da República nas eleições de 2022.

Mesmo tateando nas pesquisas e sem recuperar a imagem de ter agido politicamente no âmbito da Lava Jato, como protagonista do esquema que retirou Lula da disputa de 2018 e abriu caminho para Jair Bolsonaro, Moro ainda pode aglutinar a legião de bolsonaristas – inclusive na área empresarial e evangélica – que abandonou “o mito”.

Há uma massa de desiludido com os rumos do governo Bolsonaro e também os que não desejam ter Lula como a primeira poção eleitoral de 2022. Essa faixa de eleitores tende seguir o neoliberalismo, ao qual o Centrão se modela e se adapta sem cerimônia.

A multidão que segue o capital Bolsonaro já não joga com o mesmo entusiasmo. É que o governo chega ao fim do 3º ano, com o Brasil desacreditado no exterior, os investimentos externos em debandada e os internos cada vez mais escassos. Além disso, a economia está aos frangalhos.

Quanto a Moro, ele voltou dos Estados Unidos, decidido a arregaçar as mangas na política, de olho no Planalto. Ele percebe que o neoliberalismo busca, no desespero, um nome que ocupe o posto vazio na 3ª via entre Lula e Bolsonaro. Para analistas políticos de variadas tendências, ainda não existe resposta para a pergunta: em qual modelo Sério Moro se encaixaria nessa batalha de gigantes.

Poderia também se pergunta: Moro faria mais medo ao experiente Lula ou a Jair Bolsonaro, quando o Brasil e o mundo precisam sair de seus modelos enguiçados para a grande reconstrução do pós-pandemia? O problema de Moro é que ele, para ocupar o espaço da 3ª Via terá que abafar o veterano Ciro Gomes (PDT) e o tucano que sairá da peleja interna do PSDB entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS).

Como há pulverização no ambiente da 3ª Via, Sérgio Moro pode provocar uma desarrumação geral. Não seria extravagância imaginar-se Lula como o porto seguro da soberba esquerdista. Afinal, o petista vai partir para desacreditar Sérgio Moro e a Lava Jato assim como comparar seu governo com o atual de Bolsonaro.

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