De banda com Ciro

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Continua repercutindo os 15 votos que o PDT deu na Câmara para aprovar a PEC dos Precatórios, hoje já chamada pela oposição de “PEC da Reeleição” do presidente Jair Bolsonaro.

Depois do próprio PDT haver se ‘arrependido’ dos votos governistas, ontem foi a vez deputados de quatro partidos entrarem com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) na tentativa de anular a votação da PEC. Congressistas Alessandro Molon, Fernanda Melchionna, Joice Hasselmann, Kim Kataguiri, Marcelo Freixo e Vanderlei Macris. Exceto o PSOL, todos são de partidos que colocaram votos a favor da PEC.

Como Ciro Gomes não foi informado da posição do partido, “suspendeu” sua pré-candidatura presidencial. Rapidamente, o próprio presidente do PDT, Carlos Lupi se encarregou de impetrar mandado de segurança no STF, com pedido de liminar de urgência para suspender o trâmite da PEC dos Precatórios, anulando a votação que deu vitória ao governo Bolsonaro com apenas quatro votos de vantagem.

O motivo da ação foi a inclusão de 20 deputados – que estão em viagem oficial, participando da COP26 em Glasgow (Escócia). Como se trata de emenda constitucional, a votação teria que ser feita de forma presencial e não remota, como permitiu Arthur Lira, contrariando o regimento da Casa.

A votação do PDT deixou mancando, a pré-candidatura de Ciro Gomes, com todo o seu discurso raivoso, quando falar de Jair Bolsonaro ou do petista Lula da Silva. Com a PEC, o governo vai ter dinheiro para tirar o programa Auxílio Brasil, do papel, graças aos R$ 90 bilhões que deixará de pagar em 2022, em precatórios.

Pego de surpresa, Ciro suspendeu a pré-candidatura presidencial “até que a bancada pedetista reveja” os 15 votos decisivos na aprovação da PEC. O líder do PDT, Wolney Queiroz (PE) deixou o cargo, em meio ao imbróglio. Disse que nem Ciro nem o PDT o orientaram quanto a votação, embora a imprensa já tivesse antecipado os votos do partido.

O episódio trouxe à luz do dia, a falta de liderança de Ciro Gomes entre a cúpula que manda no partido: Carlos Lupi, sua base regional no Ceará e o líder no Senado, Weverton Rocha. Para um político que pretende ser presidente do Brasil, o caso deixa lacunas que precisam ser preenchidas. E que seu estilo de tentar fazer política no grito, pode levar seu projeto de candidatura a descaminhos imprevisíveis.

O Brasil no pós-Bolsonaro – seja quando for – será bem diferente do que o em que Ciro Gomes já disputou por três vezes o Planalto. No grito, o sobralense não vai conseguir enquadrar setores fermentados com bolsonarismo, como os quartéis, as mídias e outras instituições.

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