Dois quadriláteros na disputa do governo do Maranhão em 2022

Por Raimundo Borges
O Imparcial – A eleição de governador do Maranhão está se afunilando para dois quadriláteros políticos inusitados – um subordinado à liderança do governador Flávio Dino, no âmbito estadual, e o outro, no polígono nacional, ligado ao presidente Jair Bolsonaro. Dino está cozinhando o galo, enquanto ganha tempo para decidir sua preferência, até o começo de 2022, entre Carlos Brandão (PSDB), Weverton Rocha (PDT), Felipe Camarão (PT) e Simplício Araújo (SD).

De cima para baixo, Jair Bolsonaro tem os pré-candidatos Josimar do Maranhãozinho (PL), Lahésio Bonfim (PSL), Roberto Rocha (sem partido) e, em tese, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PSD).

O problema de Holanda é que ele poderia ser o candidato bolsonarista mais palatável no Maranhão, razão pela qual deixou o PDT do senador Weverton Rocha. No entanto, há duas semanas, o Gilberto Kassab conseguiu “puxar” o presidente do Senado Rodrigo Pacheco, para o PSD, já o anunciando como concorrente ao Planalto. Assim sendo, Edivaldo terá que seguir sua agenda de pré-candidato, colhendo os frutos de sua gestão em São Luís.

No próximo dia 22, data da filiação no PL, de Jair Bolsonaro, Josimar de Maranhãozinho ganha impulso do Palácio do Planalto como pré-candidato ao Palácio dos Leões, projeto do qual garante não arredar por motivo nenhum. Sobre sua relação com o governador Flávio Dino, de quem foi aliado até recentemente, ele disse no programa Ponto & Vírgula na rádio 92.3, que o ciclo político entre ambos acabou. Acrescentou que não votará em Dino para cargo algum. Significa que o PL poderá ter candidato a senador.

Josimar de Maranhãozinho ganha impulso do Palácio do Planalto como pré-candidato ao Palácio dos Leões

Operação anulada

O motivo da desavença de Josimar com Dino se tornou insustentável no dia 6 de outubro, quando uma operação do Grupo de Atuação Especial no Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Maranhão (MP-MA) chegou à casa do deputado, escritório e fazendas, em ação de combate a fraudes licitatórias em prefeituras do Estado, com desvio de volumosa soma de dinheiro público. Maranhãozinho tem negado qualquer participação no esquema e atribui a operação ao crescimento de sua pré-candidatura ao governo, cujo ato político realizado em Itapecuru diz ter sido “o maior que já realizou no Maranhão este ano”. Porém, as investigações contra o deputado foram anuladas pelo desembargador Antônio Bayma Araújo, do TJ-MA.

A Operação batizada de “Maranhão Nostrum” resultou de investigação instaurada pelo Gaeco em 2018, para apurar possíveis fraudes em processos licitatórios para contratação da empresa Águia Farma Distribuidora de Medicamentos Ltda. nos municípios maranhenses de Araguanã, Carutapera, Centro do Guilherme, Maranhãozinho, Pedro do Rosário e Zé Doca entre os anos de 2014 a 2018, período no qual foi movimentado o montante de R$ 159 milhões em contratos administrativos pactuados entre as empresas investigadas e os Municípios relacionados. A Águia Farma Distribuidora teria Maranhãozinho e a esposa, deputada estadual Detinha, como sócios. Os dois negaram tudo.

Os cenários

Com oito pré-candidatos se movimentando na sucessão de Flávio Dino, o cenário ainda poderá mudar até julho de 2022, quando os partidos realizarão suas convenções. O bolsonarista Josimar do Maranhãozinho deixou implícito, ontem, ao jornalista Clovis Cabalau (TV Mirante), que suas relações com o senador Roberto Rocha já não são as mesmas de antes. Rocha, um parlamentar de relações políticas estreitas e convivência amigável com Jair Bolsonaro é tido como o nome de sua preferência para concorrer ao governo, ou partir para a reeleição contra Flávio Dino, adversário de carteirinha do presidente da República. Os dois se confrontam, principalmente nas ações de governo e na questão ideológica.

Roberto Rocha é tido como o favorito do presidente Jair Bolsonaro para concorrer ao governo do Estado.

Já o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahésio Bonfim vem trabalhando sua pré-candidatura, sustentada na hipótese de ter o apoio de Bolsonaro, em cujo município ele obteve a maior votação no Maranhão em 2018. Já o ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior, nunca assumiu a postura Bolsonarista, mas se filiou ao PSD, legenda do Centrão que apoia o governo e está fora do arco de aliança de Flávio Dino desde 2018. Já Roberto Rocha, com a longa experiência política acumulada, não se afoba em definir sua pretensão eleitoral em 2022.

Dinistas embolados

No quadrilátero Dinista, a situação é igualmente confusa. Ele prometeu aos partidos aliados que em novembro daria sua posição sobre qual candidatura escolheria para apoiar na sua sucessão. Mesmo mostrando preferência por Carlos Brandão, Dino está ganhando tempo. A escolha pode ficar para o começo de 2022, bem antes de renunciar ao mandato e passar a faixa ao vice Brandão que, por sua vez, gostaria que o anúncio fosse ainda em 2021. A mesma pretensão tem o senador Weverton Rocha, que disputa com Brandão o apoio de Dino e do ex-presidente Lula da Silva, alinhado de primeira ordem de Flávio Dino.

Carlos Brandão e Weverton Rocha disputam o apoio de Flávio Dino

Lula se articula com o PSDB nacional, com a possibilidade de indicar o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice. É que o os tucanos João Doria e Eduardo Leite não decolam nas pesquisas. Caso a aliança se formalize, a repercussão no Maranhão será imediata: Brandão terá Lula em seu palanque, enquanto o senador Weverton Rocha teria que somar com Ciro Gomes, candidato de seu PDT. Sobra mais indecisão e encrenca, para os secretários de Dino, Felipe Camarão, do PT, e Simplício Araújo, do SD, partido do sindicalista Paulinho da Força, uma organização sindical de centro-direita.

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