Tico-tico no fubá

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O mundo terminou ontem, em Glasgow (Escócia), a Conferência do Clima Cop26, com imenso barulho, discursos em todos os idiomas e promessas de que a terra terá um tratamento digno da civilização que a ocupa, nas próximas décadas.

O Brasil, por exemplo, agiu no evento com desenvoltura, prometeu o que dificilmente vai poder cumprir – reduzir as emissões de gases estufas em 50% até 2030. Na última 4ª feira, os governo do Brasil, Indonésia e Congo, países donos das maiores florestas tropicais, assinaram, juntamente com mais de 100 nações, um tratado paralelo que prevê zerar o desmatamento no mundo até 2030.

O compromisso é tão ambicioso que assustou o mundo ambiental, que acompanha com preocupação a política de desmonte do setor, do governo Bolsonaro. Na mesma Cop26, paradoxalmente, o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Leite, reclamou dos países ricos que poluem demais e não abrem a carteira para custear projetos quem abrangem as catástrofes climáticas.

Deixou claro que em questão ambiental, o país apenas imita uma floresta em Glasgow, o “tico-tico no fubá”, que se escutava como música ambiente mais fazia o local mais parecer um pavilhão de promoção turística.

A comparação acima é do Jornalista Jamil Chade, do UOL, referindo-se ao espaço erguido pelo governo brasileiro na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Realmente, ao mundo, o Brasil prometeu corte de emissões e redução de desmatamento – tudo em tempo recorde para ações de tamanha envergadura. Mas quando foi questionado por jornalistas sobre a “boiada” no Congresso, silenciou, se esquivou, repetiu frases vazias e não respondeu.

Afinal, “passar a boiada” na floresta foi a maior contribuição que seu antecessor no posto, Ricardo Salles deixou como legado.
Não foi à toa que os pontos de queimadas na Amazônia Legal cresceram 49% no mês de outubro desse ano em comparação ao mesmo período em 2020.

O levantamento é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e supera em 34,5% a média histórica desde quando a pesquisa é feita. Como parte da Amazônia Legal, o Maranhão está dentro dessa encrenca ambiental crescente e preocupante na região dos nove estados que perfazem 59% do território brasileiro.

Na entrevista à imprensa, ontem, Joaquim Leite foi confrontado com os números de mais desmatamento na Amazônia. Lembrou apenas que levou para Glasgow a “Amazônia Real” e que o avanço da destruição é um “desafio” permanente

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