Pula-pula partidário

Por Raimundo Borges
O Imparcial – No Brasil criar um partido político é mais lucrativo e do que criar uma empresa e obter sucesso. Com 33 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, cada legenda tem um “dono” no comando nacional, que mantém controle rigoroso sobre as “filiais”, chamadas de diretórios regionais e municipais.

A maneira de fortalecer o Poder Legislativo e a democracia brasileira seria “enxugar” na lista de partidos. Não sem motivo, muitos são chamados de legendas de aluguel. Quando elas se agrupam no Congresso, acabam formando o Centrão, que dominam o Poder Executivo, com tenebrosas negociatas nas votações de interesse do governo – tudo em nome da representação popular.

Só no primeiro semestre de 2021, os partidos arrecadaram fabulosa soma de R$ 489,6 milhões do Fundo Partidário. Uma fortuna! Com tanto dinheiro, além dos R$ 4,5 bilhões do Fundo Eleitoral, a política no Brasil é custeada pelo eleitor, que acabam vendo as barbaridades praticadas em seu nome, sem reagir.

Só o presidente Jair Bolsonaro desde quando abandonou o PSL, em briga interna com o presidente Luciano Bivar, em 2019, até hoje não encontrou um partido para chamar de seu. Antes ele já havia passado por sete partidos e o PL seria o 8º, mas a filiação suspensa pelo presidente Valdemar Costa Neto, que não quer entregar o controle da legenda a ninguém. Principalmente aos Bolsonaro.

Desde quando ingressou na política como vereador, o ex-capitão do Exército teve uma vida política atribulada. Nos 29 anos como deputado federal, disputou três vezes a presidência da Câmara, numa delas obtendo apenas quatro votos.

Quando disputou em 2018 a Presidência da República, Bolsonaro conseguiu ‘empanturrar’ o PSL com deputados federais, senadores e governadores. Na Câmara ficou quase empatado com o PT, com 51 parlamentares. Mesmo assim Bolsonaro não conseguiu criar o “seu partido” Aliança pelo Brasil, por não cumprir a exigência do TSE quanto ao número de filiados.

Se o TSE aprovar os pedidos de criação de nova legenda, o país passará a 54, um exagero que só tumultua a representação popular, enfraquece a democracia e desmoraliza o significado da política partidária.

Isso tem tudo a ver com a carreira de Jair Bolsonaro que, desde 1990, quando se elegeu deputado pelo PDC, seguiu daí em diante, a sequência de filiações, no PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), PSC (2016-2017) e o PSL (2018-2019). Em 2017, tentou se filiar no Prona, conversou com o PEN (atual Patriota) e acabou “namorando” o PL em 2021, mas o “casamento” está suspenso, antes do enlace cerimonioso, marcado para o dia 22 próximo.

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