Bolsonaro cumpre promessa de desmonte do Enem, que tem menor número de inscritos desde 2005

Crítico do Enem, Bolsonaro montou uma comissão que atua como uma espécie de SNI, órgão de censura da Ditadura, para barrar questões e impôs doutrinação ideológica, buscando a revisão de temas históricos, como o Golpe de 64.
Jair Bolsonaro e o ministro da Educação, Milton Ribeiro (Reprodução)

Alvo de ataques de Jair Bolsonaro (Sem partido) desde quando o presidente ainda era um inexpressivo deputado federal, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chega esvaziado em sua versão 2021 neste domingo (21) e entregue ao aparelhamento do Ministério da Educação, que vê o ensino como aparato de doutrinação ideológica.

Com cerca de 3,4 milhões de inscritos, o exame registra o menor número de estudantes desde 2005, um ano após o então ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), incluir a prova como “vestibular” para bolsas de estudo em faculdades particulares pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), o que permitiu que muitos alunos de baixa renda pudessem cursar o ensino superior.

O esvaziamento da prova mostra que Bolsonaro vem cumprindo ano a ano a promessa de destruição do Enem.

Em pouco mais de quatro meses no cargo, o primeiro ministro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez-Rodriguez iniciou o desmonte, que foi aprofundado pelo seu sucessor, Abraham Weintraub.

Alçado a cargo de direção no Banco Mundial, representando o governo brasileiro, após fugir do país ao ser investigado por participação na milícia digital que planejou ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso, Weintraub trocou por quatro vezes o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2019.

Na edição daquele ano, o Enem teve denúncias de favorecimento a uma gráfica contratada sem licitação, além de vazamento de questões e erro na correção de 6 mil candidatos.

Weintraub quis colocar fim ao Enem presencial

Em julho de 2019, Weintraub chegou a anunciar ao lado de Jair Bolsonaro que a partir de 2020 haveria um piloto do ENEM Digital com quatro edições por ano, que substituiria o exame em papel até 2026.

À época, Weintraub se reuniu com o Inep para pensar em uma divisão da prova em três etapas – uma a cada ano do Ensino Médio.

O “Enem seriado” seria incorporado Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) – que aplica provas a estudantes do 5º e 9º do ensino fundamental e do 3º do médio – e se combinaria com taxas de aprovação, repetência e abandono. Esse novo modelo seria paralelo ao Enem convencional, que seria aplicado apenas a pessoas já formadas no Ensino Médio ou que perderam uma das três provas.

Em 2020, Bolsonaro ainda editou uma Medida Provisória (MP-934) que desobrigou

Aparelhamento e doutrinação a utilização dos resultados individuais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2020) para o Sistema de Seleção Unificado (SiSU) e do ProUni.

Com a medida, os estudantes puderam utilizar as notas das edições anteriores do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como forma de acesso ao ensino superior.

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