Caso Lula se junte a Alckmin haverá repercussão no MA

Por Raimundo Borges
O Imparcial – A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se juntar, em 2022, com o tucano mais influente do PSDB (quatro vezes governador de São Paulo), Geraldo Alckmin traria forte potencial para remexer com a disputa presidencial e mudar o cenário da sucessão do governador Flávio Dino, no Maranhão.

Cotado nos últimos dias para ser o possível vice na chapa de Lula, maior adversário dos tucanos em São Paulo, Alckmin, porém, mantém-se em cima do muro aos fatos internos do PSDB. Afinal, neste domingo, o partido tucano vai chegar rachado para a prévia que definirá a escolha do candidato em 2022, entre governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS).

Para Lula nada é eterno na política, inclusive posições ideológicas. Sobre a possibilidade da união com o tucano, ele declarou: “Eu tenho uma extraordinária relação de respeito com o Alkmin. Eu fui presidente quando ele foi governador, e nós conversamos muito. Não há nada que aconteceu entre eu e o Alckmin que não possa ser reconciliado”, declarou. Já o ex-governador paulista, que está de saída do PSDB, disse na semana passada (12/11), que fica “honrado” com a lembrança de seu nome. No entanto, afirmou que a decisão sobre sua candidatura não é para agora.

— Já disseram que vou ser candidato ao Senado, a governador, a vice-presidente. Vamos ouvir. Fico muito honrado da lembrança do meu nome — disse Alckmin, acrescentando que vai “amadurecer as conversas”.

E negou que tenha diferenças intransponíveis com Lula, que política precisa ser feita com civilidade e com quem tem apreço pela democracia. Questionado se o petista tem essa qualidade, respondeu: “É claro que tem, não só ele, é óbvio que tem”.

Repercussão no Maranhão

Qual a repercussão da eventual chapa Lula x Alckmin no Maranhão? A depender do PT estadual, presidido por Augusto Lobato, a aliança é bem-vinda. Afinal de contas, PT e PSDB já se uniram até Acre, quando Jorge vieiras foi eleito governador, com um vice tucano. No Maranhão, o PSDB fechou com Flávio Dino em 2014, indicando Carlos Brandão que, por sua vez, não deixou de ser liberal, com o PCdoB. É a prova de que as pessoas não mudam a ideologia, mas a ideologia é muda as pessoas. Já o senador Roberto Rocha espera Jair Bolsonaro entrar no PL, para segui-lo como seu candidato no Maranhão.

Carlos Brandão, já estaria consultando a direção nacional do PSDB se pode declarar apoio a Lula no primeiro turno

O vice-governador Brandão, que assumiu o comando do PSDB maranhense em março deste ano, substituindo Roberto Rocha, já estaria consultando a direção nacional se pode declarar apoio a Lula no primeiro turno, já que o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso disse que, num eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o PSDB apoiará Lula. Brandão está fechado com o PT regional, enquanto o PT municipal de São Luís já fez a opção pelo senador Weverton Rocha (PDT). Mas essas posições para o diretório nacional não contam. A ordem é sempre de cima para baixo.

O outro ato desse enredo fica por conta do governador Flávio Dino. Ele passará o governo em primeiro de abril para Carlos Brandão e sairá candidato a senador. Segundo fontes do Palácio dos Leões, Dino teria perguntado a Lula se, para subir no palanque de Brandão, precisaria que o tucano trocasse o PSDB pelo PSB. Lula respondeu que não. “Preciso do PSDB comigo em 2022”, teria respondido. Agora, a aproximação do petista com Alckmin depende da concretização de sua saída do PSDB e a filiação no PSB, partido ao qual foi convidado pelo aliado Márcio França. Mas Alckmin também pode ingressar no PSD, a convite de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo.

Dino teria perguntado a Lula se, para subir no palanque de Brandão, precisaria que o tucano trocasse o PSDB pelo PSB

Uma pedra no caminho

Se optar pelo PSB, Alckmin estará com Flávio Dino, aliado de primeira linha do petista Lula da Silva. Se bandear para o PSD estará no Maranhão no Partido de Edivaldo Holanda Júnior, que trabalha duro para consolidar seu nome como candidato a governador. A estrutura do partido no Estado é pequena. Em qual lugar, porém, Alckmin estará mais perto de Carlos Brandão, governador em 2022, do que do senador Weverton Rocha, que colou sua pré-campanha à imagem do ex-presidente Lula, deixando de escanteio o pedetista Ciro Gomes, habilitado para concorrer pela 3ª vez ao Planalto.

Em coletiva de imprensa no Parlamento Europeu, em Bruxelas (Bélgica), Lula disse não temer que o tucano, contra o qual concorreu nas eleições de 2006, o trairia, como se costumou a definir a atuação de Michel Temer, vice de Dilma Rousseff (2011-2016), que assumiu seu cargo após lutar pelo processo de impeachment.

“O vice é uma pessoa que tem que ser levado muito a sério na relação com o presidente – porque o vice pode ser presidente, e podem acontecer muitas coisas. Depois, ele tem que ser uma pessoa que soma, e não que diverge com o presidente.”

Lula disse que não entende que sua atuação na capital belga, sede da União Europeia, tenha tido o tom de campanha eleitoral, “até porque eu não pedi voto”. No entanto, as negociações e falas de Lula devem se intensificar a medida que outros pré-candidatos começarem a também se colocar no debate público, como o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), além do próprio presidente da República, Jair Bolsonaro (atualmente sem partido), que atua juntando a governança com a pré-campanha.

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