Moro já soca o vento

O Imparcial – O ex-juiz federal Sérgio Moro, que se tornou celebridade mundial ao comandar da chamada República de Curitiba a operação Lava Jato, anda se apresentando como pré-candidato a presidente da República em 2022. Trata-se de uma personagem saída do ambiente jurídico para ingressar nos quadros do governo Jair Bolsonaro na pasta da Justiça.
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Sérgio Moro se tornou celebridade mundial ao comandar a operação Lava Jato

De lá saiu escorraçado pelo presidente, quando percebeu que estava alimentando uma cria que poderia lhe devorar na primeira disputa de urna. Com a experiência de 30 anos militando na política, ambiente em que vive com a família, Bolsonaro cuidou de limpar a área.

Portanto, agora, como na política, sem o “apanágio” da Lava Jato, sem o glamour do governo e sem emprego formal, Sérgio Moro terá pela frente dois encontros assustadores: Jair Bolsonaro com a máquina do governo nas mãos e Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, liderando todas as pesquisas, o petista não vai sair da campanha eleitoral sem perder a chance de se vingar dos longos 580 dias trancafiados em Curitiba, pela canetada do então juiz Moro.

O Podemos que acolheu a filiação do ex-chefe da Lava Jato, é uma legenda de bancada diminuta, de 11 deputados na Câmara e de baixa capilaridade nos estados. Sem falar que está no miolo do Centrão, que se mistura a várias outras legendas, inclusive o PL de Jair.

No Maranhão o Podemos conta com o prefeito Eduardo Braide que conhece Sérgio Moro pelo modo remoto e pelas redes sociais. Ainda assim, tende a apoiar o pré-candidato do PDT ao governo, Weverton Rocha.

Portanto, embora a política eleitoral seja sempre uma fonte de surpresas, não será diferente em 2022 na disputa da Presidência e do governo do Maranhão. Porém, antes da campanha começar, alguém, de preferência um marqueteiro, terá que explicar a Sérgio Moro que há uma distância planetária entre a política e o milenar poder de julgar, condenar e absolver, conforme os autos.

Será que o ex-juiz, conhecido por sua rigidez e por suas sentenças sem apelação e até parciais, será capaz de saber mergulhar no mar revolto e surpreendente da política? Considerado pelo mundo afora um juiz implacável contra a corrupção, seria tão rígido sem a proteção ritualística da toga.

Afinal, ele decidiu entrar no complexo, maleável mundo da política, sempre cheio de brechas aplicáveis – de preferência fora das normas escritas em código das leis. No modo político, Moro apareceu em suas primeiras entrevistas como um garoto usando sapatos novos. Até experimentou, sem traquejo, o clássico gesto de levantar o punho direito e socar o vento.

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