PSD sonda terceira via com Rodrigo Pacheco enquanto flerta com a onda Lula

El País – Kassab diz que presidente do Senado é candidatíssimo ao Planalto, mas ele próprio afirma que projeto não está definido. Legenda segue com um pé em cada canoa, com possível filiação de Geraldo Alckmin, cotado para vice de candidato petista.
Kassab e Pacheco no encontro nacional do PSD, em Brasília.
PEDRO GONTIJO/SENADO FEDERAL

Quando fundou o PSD, dez anos atrás, o então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab deixou claro qual seria o seu papel: jamais fecharia as portas para nenhum político. Dizia à época que a nova legenda, dissidente do DEM, não seria nem de esquerda nem de direita. Que seria independente. Não seria um partido engessado. E que apoiaria tanto a então presidenta Dilma Rousseff (PT) quanto o governador paulista da época, Geraldo Alckmin (PSDB).

Nesta quarta-feira, Kassab reforçou sua ambivalência. Na frente das câmeras e nos discursos oficiais durante o Encontro Nacional do PSD, em Brasília, ele diz que a legenda tem o seu “candidatíssimo” à Presidência da República em 2022, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG). “Nosso candidato está aqui ao meu lado (…) Ele saberá unir o Brasil, garantir e fortalecer a democracia”, disse em entrevista coletiva. Kassab destaca as qualidades de apaziguador do parlamentar e diz ver nele os melhores atributos para um chefe do Poder Executivo. Quando as luzes se apagam, contudo, o mandachuva do PSD trata como possível uma aliança com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), favorito na disputa até o momento. O apoio do PSD viria com a cessão de Alckmin para compor a chapa como vice de Lula. O ex-governador e ex-presidenciável tucano nem se filiou ao PSD ainda, e seu passe já está à venda.

Antes de deixar sua atual legenda, o PSDB, Alckmin espera o resultado das conturbadas prévias tucanas, que deveriam ter se encerrado no domingo passado, mas foi prolongada por duas panes, uma no aplicativo de votação e outra nos acordos políticos entre os candidatos Eduardo Leite e João Doria, governadores do Rio Grande do Sul e de São Paulo, respectivamente. Alckmin quer ajudar a implodir a candidatura de Doria, seu antigo afilhado político, para só depois decidir se vai mesmo para o PSD, se tenta se viabilizar como vice de Lula ou como candidato ao governo de São Paulo. Todo esse xadrez envolveria Kassab, que coloca na conta também as disputas em outros Estados. A meta do PSD é saltar de dois para cinco governadores em 2022. Além de ampliar sua bancada de deputados e, como vários dos oradores do evento desta quarta-feira disseram, “transformar o PSD no maior partido do Brasil”.

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