Depois do encontro nos Leões, Dino segurou a bola, para chamar o var

Flávio Dino em reunião no Palácio dos Leões para discutir a relação com os 16 partidos
Por Raimundo Borges
O Imparcial – Depois de mais uma reunião no Palácio dos Leões para discutir a relação com os 16 partidos com os quais se elegeu em 2018, o governador Flávio Dino se vê diante um fato relevante em sua carreira política de apenas 15 anos. Ficou provado que, hoje, ele tem mais dificuldade de manter a união do bloco que construiu, do que quando reuniu as forças para derrubar o Grupo Sarney do poder no Maranhão em 2014. Foi quando ele tornou-se uma figura nacional, sendo o único governador eleito pelo PCdoB, partido que na época tinha 92 anos, portanto, o mais antigo do Brasil, que completa 100 anos em 2022.

A política é uma nuvem: cada momento em que se olha, ela está num formato diferente. Pensando nisso, Gandhi dizia o que destrói o ser humano. “Política sem princípios, prazer sem compromisso, riqueza sem trabalho, sabedoria sem caráter, negócios sem moral”. Em 2014 Dino conseguiu reunir nove partidos na coligação. Era novidade política de um ex-juiz federal com forte liderança. E “comunista”.

Aliás, Dino no PCdoB, surgiu na política como espécie “aberrativa” para grande parte do eleitorado do Maranhão, ainda sacudindo a poeira do longo período sarneísta. Afinal, o governador havia sido derrotado em 2010 por Roseana Sarney. Mas em 2014, ele venceu Lobão Filho (MDB) com 63,6% dos votos. Já em 2018, a coligação dinista “inchou” tanto que já não cabia na leva de partidos interesseiros. Foram 16. Todos na maior empolgação.

Foi uma mistura de tantas ‘ideologias’, interesses pessoais e partidários – da direita ao centro, chegando à esquerda, resultando num caldo indigesto no Governo. Antes de 2018, o senador Roberto Rocha, eleito sob a batuta de Dino em 2014, pulou fora do grupo e virou oposição raivosa. E o tempo foi passando e o governo dinista se aproximando, inexoravelmente, do fim, em 2022, quando deixará o Poder para disputar uma cadeira no Senado.

Sombra sem frescor

Aquele grupão misturado na sombra fresca do governo, cada qual apadrinhando dezenas ou centenas de cargos, já não sente o mesmo ambiente agradável. E Flávio Dino já não é visto por alguns do grupo como o líder inconteste que, mesmo filiado a um partido comunista, ganhou prestígio e força, comandando um governo produtivo, dinâmico, inovador e focado nas questões sociais, porém, mesclado com o apoio ao setor produtivo em todas as áreas. Dino é um “comunista” bem visto pelo setor capitalista.

Carlos Brandão tem sido um companheiro leal e influente a Flávio Dino

Dino cuidou de manter um vice-governador atuante, perto de seu gabinete, numa rara administração compartilhada, com Carlos Orleans Brandão, que correspondeu. Ele nunca conspirou, não se assanhou contra o titular. Muito pelo contrário tem sido leal, companheiro e influente. Mas a política é escrita errada e por linhas tortas. O senador Weverton Rocha faz política 24 horas.

O pedetista sabe jogar com tanta habilidade que, sob o sombreiro do governo dinista, conseguiu ser mais bem votado em 2018 do que o próprio Flávio Dino. Ao apontar Brandão como sua preferência pessoal, Dino não fechou o tabuleiro do xadrez. Até janeiro, na próxima reunião, os cenários nacional e estadual não serão os mesmos de hoje. E Dino só terá dois meses como governador.

 

O tempo e o vento

Dentro da Assembleia Legislativa já se percebe a divisão do bloco dinista. Uma parte, inclusive o presidente Othelino Neto (ainda no PCdoB), apoia Weverton Rocha (PDT) para governador. Outros permanecem com Carlos Brandão, preferido de Flávio Dino. O próprio Othelino, que deve ingressar no PDT, não esconde sua preferência.

Certamente que uma realidade política brota dentro do grupo liderado pelo governador, hoje filiado ao PSB. A cada reunião que ele realiza no Palácio dos Leões para discutir as eleições de 2022, Flávio Dino vai percebendo que já não é o mesmo de 2014 e muito menos o de 2019, começo do segundo mandato. O desgaste é implacável com o poder, principalmente no Palácio dos Leões, onde o ‘salitre’ é intenso.

Depois de sete anos sem oposição política, Flávio Dino sente que o blocão de 2018 já não traz o mesmo sorriso de quando entrara no Palácio dos Leões. Embora não conte com nova oposição, mas a animação está hoje longe de ser aquela do começo da história do dinismo. Por isso, ele foge da sombra do “sol poente”, por um motivo obvio:tem que mostrar que líder é para nunca estar só.

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