Flanelinhas de R$ 4 mil

Secretaria de Trabalho volta a cadastrar flanelinhas - PORTAL FEDERAL

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Com 13,5 milhões de brasileiros convivendo com desemprego no Brasil, depois de uma “melhora” no índice em novembro, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho surpreende. Só faltou bater palmas para o avanço do trabalho informal. Ele afirmou que até flanelinha nos logradouros públicos já não é um miserável, como parece ser.

Marinho disse que esses profissionais que estão em toda parte nas áreas urbanas do Brasil, conseguem amealhar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil mensais. Ele, porém indicou o local tão favorável aos trabalhadores informais do trânsito: Praia do Leblon. Infelizmente o Brasil não é uma imensa praia de Copacabana.

O ministro falou para o setor da construção civil, uma área que até tem se saído bem na crise da pandemia, mas nem tudo são flores. As altas taxas de juros conseguem anular a tentativa de o setorem dar a volta por cima na pandemia.

Ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho durante entrevista
Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (Divulgação)

Também influenciam as diferenças regionais do ‘continente’ brasileiro. Com isso os‘flanelinhas’ do Leblon conseguem faturar bem mais do que seus colegas que ganham a vida na Praça João Lisboa e ou Av. Litorânea, em São Luís. Aí Rogério caiu na real: “Mas alguém em Jucurutu, no interior do [Rio Grande do Norte] que ‘trabalha’ tangendo jumento e outros animais, ganha R$ 200”.

São as diferenças regionais que as pessoas precisam entender e compreender o país. Mas existem inúmeros estudos científicos que aprofundam uma temática tão robusta quando se avalia as desigualdades regionais e sociais.

As falas do ministro ocorreram no mesmo dia em que o IBGE divulgou que, no 3º trimestre, a taxa de informalidade subiu para 40,6% da população ocupada, com 37,709 milhões de trabalhadores atuando sem carteira assinada. Aliás, a informalidade no país anda já compete, em termos estatísticos, com o trabalho de carteira assinada, que sofreu ataques de toda ordem no governo atual.

De acordo com o IBGE, os postos de trabalho informais respondem por 54% do aumento na ocupação. “Isso não é nenhuma novidade”, ponderou Rogério Marinho. E ele sabe o que diz. Como deputado federal, foi relator da reforma trabalhista na Câmara no governo Michel Temer.

Maior mudança nas leis trabalhistas desde a criação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a reforma instituiu o trabalho sem hora fixa, o salário por hora, o fim do imposto sindical, redução negociada de salário e a maior dificuldade de acesso à Justiça gratuita. Na época, o governo e Marinho disseram que a reforma criaria milhões de empregos e reduziria a informalidade no país. Portanto, realmenteé preciso conhecer o Brasil.

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