A máscara dos desmascarados

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O que veio primeiro: a máscara dos desmascarados, ou a negação da covid19 como o mal mais letal deste século? Depois de dois anos e 5,23 milhões de óbitos no mundo e 615 mil no Brasil, ainda tem pessoas que debocham da pandemia, fingem desacreditar na sua gravidade e ainda incentivam outros estúpidos a fazerem o mesmo.

Essa multidão espalhada pelo mundo é hoje o maior vetor de contaminação e de mortes por covid19 e as suas variantes Delta e ômicron. No Brasil há um clamor público pelas festanças do réveillon e Carnaval, como se a pandemia tivesse chegado ao fim.

Vale destacar o contra-ataque de países europeus sobre os magotes de não vacinados que pregam tal comportamento como um suposto direito individual de livre arbítrio sobre a vida de cada qual. Mas esse direito está longe de ser individual, quando se trata de infecção viral, passada de pessoas a pessoas, levando multidões à mortes e doentes com sequelas para o resto da vida.

O governo da Áustria decidiu aplicar multas pesadas de até 4 mil euros (R$ 25,1 mil reais) contra pessoas que escolherem não ser vacinadas. A medida pode entrar em vigor a partir de fevereiro. São mais de dois meses para eles se imunizarem.

Agora, na Europa, com casos da Ômicron em vários países, o jogo mudou. Passou das campanhas de vacinação às campanhas contra a não vacinação. Depois de mais de um ano da primeira dose contra a covid-19, a Europa colocar na mira as pessoas que se recusam a tomar imunizantes.

Os países com taxas baixas de vacinação, como a Alemanha (67,5% de imunizados), Áustria (64,1%) e a Grécia (61,1%), lideram a ofensiva, com um cerco regulatório. Além de limitar ao máximo as atividades sociais dos não vacinados, chegam a tornar obrigatória a vacina a um número crescente de profissões.

No mesmo continente do velho mundo, os não vacinados estão indo às ruas em protesto contra a imunização, desprezando as recomendações científicas. Tentam ignorar os enormes avanços da ciência, jamais ocorridos em tão curto tempo na história.

Bolsonaro diz não ter se vacinado, e incentiva seus seguidores a fazer o mesmo, desprezando as recomendações de uso da máscara

No Brasil, até agora, as restrições ficaram só na suspensão do réveillon em várias capitais. Mas há outra diferença que marca o rumo da pandemia. Nenhum governante europeu ousou ao menos imitar gesto do presidente Brasileiro. Ele não apenas diz não ter se vacinado, como incentivou seus seguidores a fazer o mesmo, desprezando todas as recomendações de uso da máscara, do distanciamento social e de abrir campanhas contra os refratários às regras sanitárias.

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