Enquanto partidos tentam sair das cordas, Flávio Dino reafirma apoio a Brandão

Por Raimundo Borges
O Imparcial – A dez meses das eleições de 2022, os partidos políticos vivem o frisson próprio da temporada pré-eleitoral. Num jogo de foice no escuro, cada legenda, a seu modo, procura se desvencilhar dos embaraços criados pelos pré-candidatos ao governo, na pressa de consolidar posições, formar grupos e demarcar terrenos.
Por enquanto as únicas candidaturas majoritárias confirmadas são as de Flávio Dino ao Senado e de Carlos Brandão ao Governo

Mas até o presente momento, as únicas candidaturas majoritárias confirmadas são as de Flávio Dino ao Senado pelo PSB, e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), que será titularizado em abril na sucessão de Flávio Dino. O governador vai renunciar para disputar a eleição de senador, e vice será o dono do mandato até o fim, e candidato à reeleição.

Por sua vez, o senador pedetista Weverton Rocha garante que não desistirá do projeto de disputar o Palácio dos Leões. Ele continua trabalhando dia e noite, porém, sem dizer uma palavra sobre como tocará sua candidatura sem rachar o grupo liderado por Flávio Dino.

Weverton Rocha garante que não desistirá do projeto de disputar o Palácio dos Leões

Águas vão rolar

Até o fim janeiro quando os partidos da base dinista voltarão a se reunir para debater a relação, muita água ainda rolará no vai e vem do Rio Anil. Outro nó que falta desatar é a pré-candidatura do deputado Josimar do Maranhãozinho, controlador do PL, legenda que, semana passada recebeu o mais importante filiado: Jair Messias Bolsonaro.

Abrindo espaço próprio, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior (PSD) tem aparecido com boa posição nas pesquisas, mas seu partido não possui lastro no interior do Maranhão, o que vai exigir dele esforço hercúleo para penetrar nos redutos já quase delimitados pelos concorrentes. Portanto, os próximos dez meses que restam para as eleições serão de pura adrenalina.

Edivaldo Holanda Júnior tem aparecido com boa posição nas pesquisas ao Governo

Os partidos vivem ao sabor de infindáveis reuniões, busca de apoio nos municípios, campanha nas redes e nenhuma proposta objetiva que possam tornar a sucessão estadual, um campo em que o eleitor possa olhar todos os lados e começar a decidir o voto a ser posto na urna em outubro.

O vice-governador trabalha ao lado de Flávio Dino, percorrendo o interior, anunciando obras e entregando as que estão prontas. Ele promete dar continuidade os programas que vêm sendo realizados nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e questões sociais. Diariamente, Dino e Brandão viajam pelos municípios já no processo de “encerramento” da programação do último ano, dos sete que governaram juntos.

Maranhão feliz

Já Weverton Rocha tem uma pré-campanha arrojada, porém, até o momento, sustentada apenas no slogan de “fazer o Maranhão mais feliz”. Um encontro dos que vem realizando em regiões do Estado, marcado para o último fim de semana, foi adiado. Segundo avaliação de quem anda por perto do senador pedetista, ele repensou no ato político realizado na capital, bem nas barbas de Flávio Dino.

Enquanto isso persiste a incógnita sobre as pré-candidaturas dos secretários de Flávio Dino, o petista Felipe Camarão (Saúde) e Simplício Araújo, da Indústria Comércio e Energia. São dois projetos que correm sério risco de sofrer erosão no decorrer do desenho definitivo da sucessão estadual. Mas poderão resultar lá na frente, em potenciais candidaturas à Câmara dos Deputados.

Nesta segunda-feira, Flávio Dino concedeu entrevista ao site da revista Carta Capital, na qual não só reafirmou o apoio à pré-candidatura de Carlos Brandão, como explicou os motivos da escolha.

“Nós temos um processo em curso. Houve a reunião com 13 partidos quando definimos uma consulta. Consultei atores políticos, personagens, lideranças, prefeitos, deputados e partidos. Foi a partir dessa aferição que constatei que o vice Carlos Brandão reúne as agregações políticas necessárias”, disse.

Ainda segundo Dino, é essa mesma condição de agregar partidos e lideranças que ele tem defendido no plano nacional. Ou seja, uma frente capaz de aglutinar os setores mais populares, a esquerda, mas com a convergência na direção do centro. Mais adiante, Dino falou da próxima reunião do grupo, no dia 31 de janeiro, com a previsão dejá sair a chapa majoritária para concorrer ao governo em 2022.

Há especulação até de que Flávio Dino poderia antecipar a sua renúncia, até agora marcada para 1º de abril, uma data muito mau falada, por ser o dia da mentira. Caso o faça, possibilitaria mais forças política a Brandão e alongaria em dois meses a nova gestão, para ele puder marcar a gestão no mandato-tampão.

Bolsonaro e Sérgio Moro

Na mesma entrevista, Dino disse torcer pela entrada do tucano Geraldo Alckmin no PSB, com o apoio da direção do partido e do também ex-governador de São Paulo Márcio França, cujo desfecho seria a composição com o PT e depois ele fazer parte da chapa de Lula, como vice na eleição presidencial.

“É a chapa ideal para derrotarmos Jair Bolsonaro e Sérgio Moro”, apostouo governador maranhense.

Dino reconhece que a entrada de Moro na disputa presidencial é um fator complicador, mas não determinante. Entende o governador do PSB que o crescimento de Sérgio Moro nas pesquisas ocorre mais por conta do errático desempenho do presidente Jair Bolsonaro, do que pela herança ou saudosismo do lavajatismo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *