Liberdade sem vacina

Grande decepção': por que Marcelo Queiroga volta a depor na CPI da Covid -  BBC News Brasil
Foto: Presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde Marcelo Queiroga

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Depois de uma semana de reuniões da Anvisa com o Ministério da Saúde, vai e vem no Palácio do Planalto e salamaleques de natureza política, o governo federal, finalmente resolveu baixar uma portaria, com rodeios e contorcionismos linguísticos sobre as regras de entrada para estrangeiros nos aeroportos do Brasil.

O negacionismo voltou permear a mistura de vacinação para quem chega e quarentena de cinco dias para não vacinados – tudo em nome de uma suposta “liberdade”. Nesse caso, a palavra usada como justificativa para tanta falação sem sentido científico, passou a valer mais que a vida.

Governo Bolsonaro se nega a adotar ‘passaporte da vacina’, uma expressão que soa aos seus ouvidos como uma ofensa. Como ele detesta ser contrariado, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga também adota regras incomuns e abrandadas, ontem, adiadas por mais uma semana, para não se indispor com o chefe, muito menos contrariar seus arroubos autoritários.

Assim ficou decretado que, aos viajantes serão exigidos apenas teste de antes do embarque, e quarentena de cinco dias para os não vacinados.  “Prefiro morrer a perder minha liberdade”, disparou o presidente, numa frase que tem muito mais o sentido de calhar aos ouvidos de seguidores do que uma lógica sanitária.

De novo, a postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) diante da variante ômicron não mudou nada em relação à pandemia. Segue colocando o Brasil na contramão do mundo democrático com relação ao combate ao coronavírus. Em mais um capítulo de sua escalada negacionista, o Governo rejeitou adotar um passaporte da vacina, que ele faz alusão à liberdade.

Não sem motivo, o ministro Queiroga achou a frase de Bolsonaro tão expressiva que, na mesma quinta-feira (9), em coletiva à imprensa, a repetiu, ainda com mais ênfase: “Às vezes é melhor perder a vida do que perder a liberdade”.

O Brasil já perdeu 615 mil vidas para a covid19, equivalente à metade da população inteira de São Luís. Uma cifra que parece não ser suficiente para sensibilizar as principais autoridades brasileiras adotarem medidas preventivas, contra a nova onda da covid, reforçada com a variante ômicron, que assusta o mundo inteiro.

Como tudo relacionado à pandemia traz embutida a eleição de 2022, Jair Bolsonaro se irritou quando o governador João Doria (SP)anunciou quarentena de 14 dias, e não cinco. Vale ainda destacar que a portaria Nº 661, do Planalto, só afeta passageiros de avião. Turistas da América do Sul que preferir o transporte rodoviário podem entrar no país sem restrições. Motoristas de cargas, também.

Este é o nosso Brasil em que a liberdade vale mais do que morrer de coronavírus, no vale-tudo pré-eleitoral. Até a PEC dos Precatórios foi sancionada pelo Congresso, num arranjo inédito, que fatia o projeto para pagar o auxílio Brasil, mistura combate à pobreza neste fim de ano, com a enorme cesta de votos em 2022.

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