Desigualdade extrema

Política social, reformas e redução da desigualdade social no Brasil | by  Fundação FHC | Fundação FHC | Medium
Por Raimundo Borges
O Imparcial – O Brasil tem um paradoxo insano. O seu gigantismo territorial, suas diversidades raciais maiores que qualquer país, suas riquezas incalculáveis, sua natureza única no planeta, a condição de maior exportador de alimentos para o resto do mundo. No entanto, não consegue reduzir o fosso entre as legiões de famintos e os multibilionários que se assenhoram de 90% da riqueza nacional.

Já os miseráveis tentam sobreviver com até menos de R$ 200 mensais. A imensa riqueza produzida no campo contribui para aumentar a desigualdade no mesmo ambiente econômico. É uma situação análoga à verificada nos centros urbanos e suas periferias transbordantes de famintos, desempregados e pobreza extrema.

No passado, as populações rurais do Nordeste viveram séculos rendendo temas de literatura e violência no campo, onde as terras cultiváveis foram griladas, ou dominadas por latifundiários e fazendeiros. A população era expulsa, ou assassinada por jagunços e cangaceiros. Esse modelo perverso não mudou até hoje. O que mudou foi o meio de produção.

Veja a importância do agronegócio no Brasil | Climate FieldView™
O agronegócio não distribui renda, não gera emprego na mesmo medida que produz seus bilhões em exportação de comida.

O agro é riqueza de verdade, mas para poucos. Não distribui renda, não gera emprego na mesmo medida que produz seus bilhões em exportação de comida. No Maranhão, por exemplo, as fronteiras agrícolas da soja estão até nos cocais protegidos por lei. Mas não há mão de obra qualificada para os empregos nas tecnologias adotadas nos ricos cultivares.

Com tanta riqueza no campo, o Brasil vai mudando de ciclo econômico. Avança o agro na mesma proporção da desindustrialização urbana. Assim, o país virou uma “grande fazenda” que muda a paisagem rural e o nível da produção sem controle ambiental adequado. O desemprego da desindustrialização afeta também o comércio e faz explodir a economia da informalidade.

Não sem motivo, os aplicativos de entrega e de transporte pessoal tornaram-se os maiores empregadores no Brasil, cujas atividades sem registros fazem movimentar uma economia invisível. Não sem motivo, há mais de 40 anos o Brasil tenta montar uma base de lançamentos de foguetes e satélites em Alcântara e não se iguala sequer ao cosmódromo do pequenino Cazaquistão.

Como um dos países mais desiguais do mundo em 2020, a situação brasileira chegou a se agravar por causa da pandemia. Com isso, o país atingiu o pior nível em pelo menos duas décadas. É o que mostram números da edição de 2021 do relatório sobre riqueza global do Banco Credit Suisse. São mais de 200 páginas de análise sobre o impacto da pandemia de covid-19, que exacerbou o aumento da fatia dos bilionários no total da riqueza global.

O Brasil aparece como “um dos países mais desiguais do mundo” e a discrepância de renda no país “é marcada por níveis extremos há muito tempo”. Os 10% mais ricos embolsam 60% de toda a renda nacional.

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