A 3ª Via encalacrada

O Brasil merece: Lula é honestíssimo, Bolsonaro é honesto e Moro, nem tanto  - ISTOÉ Independente

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Com uma posição que leva o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sair corroendo o centro e desbaratando a 3ª via, o PT não tem pressa para decidir sobre composição da chapa presidencial. Vai esperar 2022 chegar para acertar o passo da campanha na sua forma plena.

O PT sabe que a disputa vai ser talvez a mais complexa de sua história. Agora, com o surgimento da pré-candidatura de Sérgio Moro, que tem tomado parte do espaço de Ciro Gomes, João Doria e Luiz Mandetta, Lula é desafiado a cada dia para seguir com a peregrinação para reconstruir seu nome e o prestígio dentro e fora do Brasil.

Para o general Amilton Mourão, Sergio Moro é o “único da 3ª via que tem capacidade para vingar” do presidente Jair Bolsonaro. Diz que o ex-juiz tem “luz própria”, mas precisa saber “empolgar as massas”.

Analistas avaliam que ex-juiz da Lava Jato é o nome, no momento, mais forte para derrubar polarização entre Lula e Bolsonaro, mas há uma série de obstáculos à candidatura. Para isso, ele precisa liderar um movimento alternativo à disputa travada entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva. Ele tem que enfrentar, pela direita, o ex-chefe Bolsonaro, e pela esquerda, o ex-preso político Lula.

A tarefa é dificílima para um estreante na política, que saiu do auge da popularidade na Lava Jato, para o inferno de ser escorraçado do Ministério da Justiça, por Bolsonaro. Enquanto isso, Lula conseguiu anulou todas as condenações sentenciadas pela famosa República de Curitiba e, legalmente, fazer Sérgio Moro ser reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal como um juiz parcial.

Do time de analistas do site econômico InforMoney, 38% acreditam que nenhuma das opções até o momento colocadas terá condições de ocupar o espaço de líder da “3ª via” e tirar Lula ou Bolsonaro do 2º turno.

É inegável que Bolsonaro trabalha dia e noite na complicada busca da reeleição, usando a máquina federal para implementar ações populares, como o Auxílio Brasil. No Entanto, ele vai ficando ainda mais refém do Centrão, que deu uma chave de braço na proposta do Vale Gás, na Câmara.

Ao mesmo tempo em que Bolsonaro se entregou à aliança com o PL, do enrolado e expert Valdemar Costa Neto, Lula realizou expressiva demonstração de força em sua recente agenda na Europa. Por sua vez, Sérgio Moro aproveita o bate-cabeça na 3ª via,para buscar se fortalecer, surgindo como uma 2ª via do bolsonarismo.

Não é segredo que Moro corre o risco de logo ali na frente perder fôlego, embaralhado na inexperiência política, e parar de crescer ao longo da disputa. Afinal,a sua principal bandeira ‒ o combate à corrupção –, que elegeu Jair Bolsonaro e hoje é uma peça envelhecida, incapaz de empolgar o grande público. Culpa de seu Jair.

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