Após se sentir traído em votação para o TCU, Fernando Bezerra deixa função de líder do governo

Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), agora ex-líder do governo Bolsonaro — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), agora ex-líder do governo Bolsonaro — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado
G1 – O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) deixou nesta quarta-feira (15) a função de líder do governo no Senado.

A decisão foi tomada um dia após o plenário do Senado ter aprovado o nome do senador Antonio Anastasia (PSD-MG) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

“O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) entregou nesta manhã o cargo de líder do governo no Senado. O pedido foi formalizado ao presidente Jair Bolsonaro a quem o senador agradece a confiança no exercício da função”, informou em nota a assessoria de Bezerra.

Bezerra, que recebeu 7 votos, se sentiu traído. Anastasia recebeu 52 votos e Kátia Abreu (PP-TO), 19 votos.

Cálculos internos apontavam que o então líder do governo receberia entre 35 e 38 votos.

Bezerra se sentiu traído

Com a vitória de Antonio Anastasia para a vaga de ministro do TCU, Fernando Bezerra confidenciou a interlocutores que se sentiu traído pelo governo Bolsonaro.

Segundo aliados do agora ex-líder do governo, até a véspera da votação, a contagem de votos dava vitória a Fernando Bezerra.

Só que, no dia da votação, os senadores governistas mudaram de lado, passando a apoiar Antonio Anastasia, que também contava com o apoio do presidente do SenadoRodrigo Pacheco (PSD-MG).

“O líder não merecia isso, se empenhou pela votação de propostas importantes do governo: reforma da Previdência, privatização da Eletrobras e, agora, a PEC dos Precatórios. O governo não teve a decência de avisá-lo que ele não teria mais os votos dos governistas. Ele teria retirado sua candidatura”, afirmou ao blog um interlocutor de Fernando Bezerra.

Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Vitória de Pacheco

A votação para a vaga no TCU representou uma vitória de Rodrigo Pacheco, que defendia o nome de Anastasia (os dois são do mesmo estado e filiados ao mesmo partido).

Segundo aliados de Pacheco, as reclamações de Bezerra de que foi traído são um problema entre o agora ex-líder e o Palácio do Planalto.

“Se o Planalto não se empenhou pelo nome de Bezerra, esse é um problema do governo. Aqui, a informação que tivemos é que o governo não iria interferir no processo”, disse um aliado do presidente do Senado ao blog.

Já os aliados de Fernando Bezerra insistem que o governo deveria, pelo menos, tê-lo avisado que não teria os votos de senadores governistas, o que não aconteceu.

Governo teve receio de vitória de Kátia Abreu

Segundo interlocutores de Fernando Bezerra, o Palácio do Planalto ficou com receio de uma vitória da senadora Kátia Abreu (PP-TO) e decidiu mandar os aliados votarem em Anastasia.

Uma eventual vitória de Kátia Abreu iria fortalecer Renan Calheiros (MDB-AL), inimigo do Planalto, e ainda abriria uma vaga para o PT no Senado. Isso porque o suplente dela é o petista Donizetti Nogueira.

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