Os enguiços da federação

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Mesmo dentro de uma torrente de ideias e linguagens divergentes, PT, PCdoB, PSB, PSOL, Rede e PV abriram um espaço de conversação para formar uma federação partidária visando 2022. Obviamente que tais negociações não têm sido fáceis e pode acabar sendo fulminadas pelas circunstâncias do complicado processo eleitoral em curso.

A conjunção programática de tantas legendas numa federação que extrapola a campanha e permanece nos mandatos, na prática produziria uma gerigonça. Mas também, pode resultar numa robusta bancada parlamentar à esquerda, capaz de confrontar o Centrão.

Para que tal proeza venha a se tornar realidade, numa reviravolta experimental do processo de federação partidária, convergindo para um entendimento inédito na política brasileira, a esquerda pode comandar o Congresso em 2023.

Atualmente, essas siglas somadas contam com 105 deputados federais. Com a provável candidatura de Lula, esse número pode saltar para 125. Pelo menos essa é a expectativa dos articuladores dessa complexa engenharia política. Seria a chance de todos os partidos crescerem, logicamente, depois de ultrapassarem inúmeras barreiras que os separam.

Como cada partido tem um programa com visão diferenciada de temas essenciais como meio ambiente, família, religião, economia e trabalho, a federação em si já seria uma construção de difícil “amarração” de seus fundamentos, mesmo estando próximos no campo ideológico.

Mas basta verificar a situação interna do PT com suas correntes, que tanto pode servir de lição para a convergência, quanto para a divergência. Afinal, o partido briga internamente, mas caba sendo o PT um dos partidos que menos perde quadro para outras legendas.

O PSOL, por exemplo, é contra Geraldo Alckmin ser vice de uma chapa encabeçada pelo PT, porque tem uma disputa histórica contra ele em São Paulo. Liderada por Marina Silva, a Rede estuda a possibilidade de lançar uma candidatura própria. Randolfe Rodrigues é o favorito para representar a agremiação.

O PSB e o PT são os mais alinhados. Mas uma união nacional vai depender das negociações das chapas estaduais. Diante de tais obstáculos, é pouco provável que a federação se feche em 2022 entre todo esse leque de siglas.

Porém, não seria impossível imaginar que o PT, PSB e PCdoB possam estar no mesmo palanque. Já o PDT de Ciro Gomes, mesmo atuando pela meia esquerda, tem Ciro Gomes como presidenciável.

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