PT decide abrir oficialmente conversas sobre federação de esquerda

Lula está em viagem à Argentina
Caso a aliança saia do papel, terá como candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Poder 360 – Diretório autorizou diálogo com PSB, PC do B, Psol e PV; autorização não garante que aliança seja efetivada.

O Diretório Nacional do PT deu autorização formal para sua Executiva discutir uma federação partidária com PSB, PC do B, Psol e PV. A decisão foi nesta 5ª feira (16.dez.2021). Foram 72 votos a favor contra 10.

O resultado não garante que a federação será consumada. Pode não haver acordo com as demais legendas, por exemplo.

Caso os dirigentes petistas e das demais siglas interessadas se acertem, os termos precisarão ser analisados novamente pelo Diretório Nacional para que o PT efetivamente integre a aliança. Processo semelhante se dará nos outros eventuais federados.

Além disso, a resolução da cúpula petista ressalva que devem ser ouvidas direções estaduais e municipais da sigla.

O PT divulgou a seguinte nota:

“O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores: Resolve iniciar conversações sobre Federação Partidária com PSB, PC do B, PSOL e PV, cabendo à Comissão Executiva Nacional do Partido conduzir este processo de diálogo para posterior decisão do DN, sobre eventual participação, a partir de um debate programático, esgotando o debate interno a partir da escuta às direções estaduais, municipais, observando os prazos definidos pela Justiça Eleitoral. Brasília, 16 de dezembro de 2021.”

As federações foram instituídas neste ano. Essas entidades servem para os partidos integrantes unirem seus desempenhos para eleger deputados e vereadores e superar a cláusula que regula acesso ao Fundo Partidário. Também unificam a atuação das legendas em instâncias como a Câmara dos Deputados.

Além disso, uma federação pode ter apenas um candidato por vaga a cargo majoritário. Ou seja: só um postulante a presidente para todos os partidos aliados, assim como apenas um candidato a governador por Estado.

Ainda há resistência no PT em relação a se federar. Uma parte da sigla avalia que, com a aliança, a associação com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorrerá ao Planalto, elegeria muitos deputados de outras legendas. O atrelamento é nacional e dura no mínimo 4 anos.

Poder360 apurou que mesmo nos grupos resistentes houve votos a favor da resolução. Assim, seria possível ao menos ganhar tempo para avaliar a conjuntura enquanto as conversas se desenlaçam.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral), na regulamentação, decidiu que é necessário registrar o estatuto da federação até 1º de março para que a entidade a ser formada dispute as eleições de 2022.

Os principais apoiadores de uma federação dentro do PT são figuras importantes da legenda. Por exemplo: a presidente, Gleisi Hoffmann, e o secretário-geral, Paulo Teixeira. Ambos são muito próximos de Lula.

A prioridade do PT é a candidatura do ex-presidente. No fim, decidirá se federar ou não dependendo da avaliação que fizer sobre o efeito que isso teria na disputa pelo Palácio do Planalto.

Apesar de a autorização formal para negociar tenha saído só agora no PT, as conversas já correm informalmente há semanas. O Poder360 mostrou, no final de novembro, que congressistas pressionavam as cúpulas das siglas de esquerda para fechar a aliança.

As federações têm pontos de contato com as coligações, proibidas para eleições proporcionais. O fim dessas alianças reduziu a pulverização partidária nas eleições municipais de 2020, as primeiras depois da proibição.

O novo dispositivo não permite que as siglas integrantes tenham estruturas separadas de liderança no Legislativo, por exemplo. Mas possibilita que a burocracia partidária seja mantido com recursos do Fundo Partidário que seriam negados para algumas das legendas.

PT e PSB não correm esse risco, mas Psol, PC do B e PV estão ameaçados pela cláusula de desempenho. Dificilmente atingiriam sozinhos o mínimo de votos em 2022 (2% dos votos para deputado federal). Com uma federação, podem manter acesso a esse dinheiro.

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