Chile define novo presidente neste domingo (19) em segundo turno polarizado

José Antonio Kast, de extrema-direita, e Gabriel Boric, de esquerda, disputam o cargo.
Candidatos à presidência do Chile, Gabriel Boric (à esquerda) e José Antonio Kast, posam para foto antes de debate em Santiago
13/12/2021 Elvis Gonzalez/Pesquisa via Reuters

A população do Chile vai às urnas neste domingo (19) para definir o vencedor do segundo turno da eleição presidencial do país. José Antonio Kast, de extrema-direita, e Gabriel Boric, de esquerda, estão na disputa com chances iguais de vitórias, com pesquisas apontando um empate nas intenções de voto.

O primeiro turno do pleito, em 21 de novembro, terminou com Kast em primeiro lugar, com 27,91% dos votos, e Boric em segundo, com 25,82%. Para sair vitorioso, um dos dois precisará obter mais de 50% dos votos.

Em campos opostos, Boric e Kast divergem em diversos pontos, da economia a questões sociais. Com isso, a eleição, para um mandato de quatro anos, tem sido marcada por uma polarização intensa, com os candidatos tentando conquistar eleitores indecisos.

Ao mesmo tempo, as duas principais forças políticas do país ficaram de fora do segundo turno pela primeira vez desde a redemocratização chilena.

O escolhido sucederá o atual presidente, Sebastian Piñera, que deixa o cargo com taxas baixas de aprovação pela população. O Chile também passa por uma Assembleia Constituinte, cuja nova Constituição influenciará o mandato, e as ações potenciais, de qualquer um dos mandatários.

Ao todo, 15 milhões de chilenos poderão participar das eleições, mas o voto não é obrigatório no país. No primeiro turno, cerca de 7 milhões de pessoas votaram, 47% do total. A expectativa é que o resultado seja divulgado entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira (20).

Polarização

Lourival Sant’Anna, analista de política internacional da CNN, avalia que o aspecto mais importante do pleito é a polarização política, que segundo ele é recente no país. Desde a redemocratização, a centro-direita e a centro-esquerda se alternaram no poder.

Para ele, “o Piñera teve uma agenda mais de centro, mas a polarização estava se fermentando”. “Sempre houve candidatos e grupos de extrema-esquerda e de extrema-direita no Chile, mas é a primeira vez que eles têm uma chance real de chegar ao poder”.

Wagner Iglecias, professor da EACH-USP, afirma que “o Chile hoje tem um relativo grau de desenvolvimento, e isso se deve à receita do cobre. Mas é um país muito desigual. O acesso à saúde, à educação, à previdência é complicado para a maioria da população, com baixo investimento do Estado”.

Um dos problemas no país é, segundo Sant’Anna, a falta de uma previdência pública no país, que “levou a um empobrecimento das pessoas”.

Segundo ele, a falta de distribuição de riqueza no país se tornou um ponto relevante para o debate político, e gerou uma insatisfação em parte da população. Isso se refletiu, por exemplo, na série de protestos ocorridos em 2019, que culminaram na convocação de uma Assembleia Constituinte.

Para o professor, o cenário eleitoral atual é “incomum”, e reflete uma insatisfação não apenas com a situação econômica no país, mas com a classe política, o que favoreceu candidaturas de partidos menos tradicionais, caso de Boric e Kast.

Ao mesmo tempo, os dois candidatos acabaram representado uma guinada para extremos no país. Kast, um advogado, defendeu ao longo da campanha o legado do ditador chileno Augusto Pinochet. Ao mesmo tempo, realiza duras críticas a Boric, um ex-líder estudantil, aproveitando-se do fato do político ser aliado do Partido Comunista do Chile.

Boric promete impedir um avanço do autoritarismo e do conservadorismo no Chile, enquanto Kast afirma que “o Chile não é e nunca será uma nação comunista ou marxista”.

O reflexo dessa polarização está nas pesquisas eleitorais. A última, divulgada na quinta-feira (16), aponta que Kast possui 48,5% das intenções de voto, enquanto Boric tem 48,4%. O cenário é uma reversão de pesquisas anteriores, que mostravam Boric à frente de Kast, com a intenção de voto no candidato conservador subindo nos últimos dias.

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