O PT tucanou?

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O que parecia impossível até meses atrás, agora já tem cara de fato consumado. A união de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o ex-tucano Geraldo Alckmin é vista pelas mídias especializadas como o próximo passo do PT para fechar a chapa liderada por Lula, na disputa presidencial de outubro.

Os dois trocam reverências e deixam para trás um longo histórico de divergências entre o PT e o PSDB em São Paulo e pelo país afora. Caso Alckmin ingresse no PSB, a aliança estará ainda mais consolidada, também em São Paulo, onde o ex-ministro Fernando Haddad (PT) pode ser candidato a governador com Márcio França (PSB) na vice, contra o governador João Doria, caso ele desista da disputa presidencial.

Essa é uma parte da engrenagem política em construção, tendo o PT como protagonista da obra. A outra parte seria a montagem da federação partidária, que tornaria em 2022, um bloco suprapartidário envolvendo o PT, PSB, PDT, PCdoB, Rede, PSOL e até o PV. Trata-se de um projeto que impediria a morte por asfixia dos menores partidos, diante do fim das coligações na eleição proporcional e a permissão para a união federativa.

Os pequenos morrerão na cláusula de barreira, ou cláusula de exclusão, ao não atingir em 2022, 3% dos votos para deputado federal no Brasil, também, o mínimo, 1/3 dos estados – ou 11 deputados distribuídos em 9 unidades.

Sem falar na exclusão do tempo de TV e rádio, dos fundos Partidário e Eleitoral, que ficou, para o próximo ano, em R$ 5,7 bilhões, propostos inicialmente pelo relator da LDO, deputado Juscelino Filho (DEM-MA). Na última sexta-feira o Congresso derrubou o veto do presidente Bolsonaro, que reduziria o Fundão para R$ 4,2 bilhões. Seja como for, a montagem da Federação de esquerda chegará aos Estados.

No Maranhão baterá de frente nas candidaturas de Carlos Brandão (ainda no PSDB, mas a caminho do PSB) e Weverton Rocha (PDT). Os dois não caberiam na mesma federação que, funciona por todo o mandato, ao contrário da coligação que morria na eleição.

Caso Brandão troque o PSDB pelo PSB, seguiria Geraldo Alckmin no âmbito nacional e a Flávio Dino, no estadual. O atual governador teria um reforço e tanto no seu palanque ao Senado, e Brandão teria quebrado as amarras que separavam o PT do PSDB.

Dino é defensor da federação, assim como o deputado federal, Márcio Jerry, presidente regional do PCdoB, além do também federal, Bira do Pindaré, representante do PSB. Caso a construção seja oficializada, conforme as regras do o TSE, ainda a regulamentar, o bloco pode levar para o Congresso em 2023, a maior bancada, capaz de derrotar o Centrão e eleger o presidente da Câmara. Portanto, o destino está traçado. Falta chegar lá.

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