Brincando com fogo

Por Raimundo Borges

O Imparcial – Literalmente, o governo Jair Bolsonaro está brincando com fogo. As florestas da Amazônia Legal, que engloba mais da metade do Maranhão, com São Luís dentro, só parou de virar cinzas com a chegada das chuvas.

Mas a derrubada por correntões e motosserra nunca para de avançar, diante da omissão, da conivência e até de incentivo do governo federal, que realiza um desmonte nos órgãos de fiscalização e controle do meio ambiente. Esta semana, o avanço do desmatamento e a invasão das terras indígenas viraram nova denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional em Haia.

A pergunta que não quer calar é: até quando a Amazônia vai virando um deserto enquanto o governo vira-lhe as costas? Os povos indígenas vivem ao Deus dará, sem apoio sanitário, escolas caindo aos pedaços e funcionários da Funai sem estrutura de fiscalização, Exército atuou na região, mas é despreparado para combate esses tipos de crimes ambientais.

Já a Funai e o Ibama vivem sem funcionários e sem autonomia para exercer suas funções conforme a legislação determina. Parece uma invasão programada de madeireiro, garimpeiros clandestinos e jagunços violentos a serviço da grilagem das terras públicas.

A nova ação contra Bolsonaro foi iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, com apoio da Comissão Arns e do Coletivo Advocacia em Direitos Humanos. O objetivo é atualizar a denúncia original e ampliar o detalhamento das ações realizadas pelo governo.

Essa denúncia ocorre pouco mais de um mês depois que, em Glasgow, durante a Conferência da ONU para Mudanças Climáticas, o governo brasileiro lançou uma operação de sedução para tentar convencer a comunidade internacional de que Brasília estava comprometida com a proteção das florestas, segundo análise do jornalista Jamil Chad, em o Uol.

Uma das estratégias do governo é tentar esconder do mundo os dados sobre o desmatamento, assim como o abandono sistemático dos povos indígenas, onde a garimpagem de ouro mata e ameaça as comunidades.

Os ministros do governo adotaram um discurso positivo em relação às negociações envolvendo as questões ambientais relativas a Amazônia. São informações, porém, desacreditadas pelos países do mundo, cientistas e até importadores de commodities e ambientalistas, como a carne.

Até quando o governo vai brincar com fogo, tentando fazer das florestas um imenso campo do agro, onde o crime organizado age sem controle?

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