As imagens mais marcantes de 2021

GETTY IMAGES
O crítico de arte Kelly Grovier escolheu 15 das fotografias mais impressionantes do ano – incluindo imagens da invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, e de um avião em Cabul, no Afeganistão – e as comparou com obras de arte famosas.

Veja-as a seguir.

Discurso para a COP26, Tuvalu, novembro de 2021

Dirigindo-se à conferência do clima das Nações Unidas em Glasgow, o ministro das relações exteriores da nação insular de Tuvalu, no Oceano Pacífico, Simon Kofe, ficou de terno diante de uma tribuna, com a água do mar na altura das pernas, para demonstrar como o aumento do nível dos mares e a aceleração da crise climática ameaçam seu país em baixa altitude.

“Não vamos ficar de braços cruzados enquanto a água sobe à nossa volta”, declarou Kofe.

A imagem surpreendente e a apreensão nas suas palavras relembraram todo um histórico de imagens de pessoas e comunidades ameaçadas pelos caprichos da água e das ondas, desde o quadro assustador do pintor holandês Jan Asselijn O Rompimento do Dique de Santo Antônio, perto de Amsterdã (que reconstrói a onda catastrófica que atingiu a costa holandesa na madrugada de 5 de março de 1651) até a obra gerada por computador do artista digital alemão Kota Ezawa A Enchente (2011), inspirada por imagens de residências afundando nas águas no sul dos Estados Unidos, mostradas pela imprensa.

CRÉDITO: ALAMY – Escultura, Itália, 2021

Escultura, Itália, 2021

Uma fotografia divertida supostamente ilustrando a invenção do teste RT-PCR viralizou nas redes sociais em novembro.

É claro que a reconstrução de um grupo de esculturas da Vila de Tibério em Esperlonga, na Itália do século 1°, retrata algo muito diferente dos atuais testes de covid-19. Trata-se do ataque que cegou o ciclope Polifemo, depois de capturar Ulisses e seus companheiros em uma caverna.

Segundo a lenda, Ulisses consegue atrair Polifemo (que havia devorado vários membros da comitiva do herói) com vinho “não diluído” antes de atingir seu único olho com uma lança pontiaguda.

Alguém que se autoadministrasse o teste RT-PCR e acidentalmente penetrasse um pouco mais fundo que o desejado poderia perceber que Polifemo se saiu bem na ocasião.

CRÉDITO: ALAMY – Escultura, Itália, 2021

Avião da força-aérea norte-americana, aeroporto de Cabul, no Afeganistão, agosto de 2021

Quando o Talebã tomou a capital afegã, Cabul, em 15 de agosto de 2021, um avião da força aérea norte-americana com destino ao Catar tornou-se a última esperança de fuga da cidade para muitos afegãos.

Fotos de centenas de pessoas desesperadas invadindo a rampa do avião C-17 Globemaster III foram algumas das imagens mais dramáticas do ano.

Aquela multidão inexplicável (estima-se que houvesse 640 a 830 pessoas, entre adultos e crianças) conseguiu fazer com que parecesse confortável, comparativamente, a visão claustrofóbica da recente escultura do artista canadense contemporâneo Timothy Schmalz Anjos Desconhecidos – um barco de bronze de 6 metros de altura, abarrotado de almas refugiadas.

Inaugurada pelo Papa Francisco em setembro de 2019, no Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados celebrado pelo Vaticano, a obra tem seu nome inspirado em uma instrução moral da Epístola aos Hebreus: “Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos”.

Mais em BBC News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *