Natal da superação

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Ano que se vai, ano que se vem. Ante a despedida do velho é a chegada do novo, que já vem com cara de envelhecido. Afinal, o ano que se vai deixou o mundo revirado. As famílias dilaceradas pela pandemia do Coronavírus. Elas jamais vão recuperar as perdas de vida, as dores sofridas, as marcas das feridas sem cura. Foram vidas que se foram e ainda estão indo, contadas aos milhares no Brasil e aos milhões pelo mundo afora.

Como fazer passar tanta angústia coletiva? Nem os cientistas, que transformaram seus conhecimentos em vacinas, numa velocidade jamais vista na história da humanidade, descobriram um injetável que alivie a dor sofrida por tantas perdas irreparáveis. Ficaram as cruzes marcadas pelas lembranças, que os pesquisadores vão transformar em história da maior pandemia deste século. São símbolos do cristianismo, que nos encaminha a ficar na terra, plantar esperanças e colher bem-estar. Não vale aqui, neste espaço, remoer tanta dor que atormenta as vidas que ficaram. São vidas que hoje têm uma data espacialíssima para celebrar. Afinal, hoje é Natal do nosso senhor Jesus Cristo.

Lindo, né? Papai Noel, luzes, decorações, anúncios, mensagens, comilanças, abraços, beijos – tudo sob as vistas do menino Jesus. Abraços que até poucos meses foram trocados por respeitosos toques de cotovelos. Festas que deixaram de ser feitas, beijos que se perderam ao vento. Tudo isso começa a virar um alívio corporal, uma serenidade na alma, uma esperança em forma de chegança.

É Natal! Que Natal, este de 2021. Ufa! Mas é Natal, impossível de traduzi-lo aqui, neste momento em que, ao mesmo tempo que escrevo, penso em meu filho Fernando ao lado da esposa Daniela, que nesta data, véspera do nascimento do menino Deus, testou positivo para a covid19. Mas, Daniela e Fernando, estou de mãos postas diante de Jesus, assim como vocês que são pastores evangélicos. Vai passar, vai passar. Logo vai passar.

O ser humano é um animal estranho. Este ano, o Natal virou a maior expectativa para quem vende e para quem consome. Parece que a coletividade esqueceu o real sentido da data, do seu verdadeiro significado. Mas o Natal é tão mágico que servem para alegrar o mundo em meio a intensidade da dor. Quem vende se alegra por sobreviver. Quem compra, se alegra por conceder um presente material que alegra. Até quem perdeu entes queridos e quem sofreu com o sofrimento de outrem.

Desde 2020 que o mundo acompanha o noticiário carregado de estatísticas funestas, de enterros sem velório, de hospitais abarrotados, de profissionais da Medicina estressados, vivendo uma guerra, cuja arma é o calor humano a quem está no leito da morte. Fora dos hospitais, governantes desorientados, ou os que tentam ajustar-se à dimensão da tragédia internacional, infelizmente, incompreendida para muitos.

Em fevereiro de 2020, quando a pandemia apenas chegava ao Brasil, fazendo suas primeiras vítimas, poucos acreditavam no que veio nos meses seguintes e no ano seguinte, este que está indo embora, sem que haja uma trégua definitiva desta guerra maldita, que se desdobra em variantes, como um exército remodelando suas estratégias de ataque e defesa. A covid19 ataca, como que a natureza a desafiar a ciência.

Desde março de 2020, o mundo mudou para sempre. Se fechou na individualidade e no coletivo de cada família, de cada cidade e de cada país. Todos trancados, mascarados, distanciados e desesperados. Ninguém imaginava passar o Natal que passamos em meio a uma pandemia universal. Contamos os dias, contamos os meses, cansamos de prever datas e de esperar dias que nos fazem viver melhor.

Foram momentos de ansiedade, de tristeza e solidão e dor. Estamos chegando ao final de 2021,tentando se recuperar. Fazer o que não se fez no ano passado, descortinar um horizonte ainda carregado de nuvens cinzentas. Mas como é Natal, Jesus entra em campo para mostrar sua força de superação. Assim, como quem pretende se recuperar da tragédia, os brasileiros e os maranhenses querem celebrar o Natal, depois réveillon e mais adiante, o Carnaval. Nem que tudo seja pela metade – isto se as variantes do coronavírus, cada qual como nome mais esquisito, deixarem. Não esquecer que 2022 é ano de eleição em outubro, portanto, muito tempo para cada qual fazer do voto a única ferramenta de renovação em prol de todos, principalmente, dos que mais sofrem com a política mal praticada.

Hoje é Natal, apesar de tudo, é Natal. Dia de olhar para os céus, comemorar a vida, espalhar o amor, renascer mais forte, semear a esperança para quem não tem esperança. São os meus votos, de Elda e da família Borges.

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