Eleições dos zumbis

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O ano estridente de 2021 está acabando. Já se passou o Natal, e o réveillon logo ali, daqui a escassos três dias. Foi um ano em que a pandemia e a política andaram ora de braços dados, ora em confronto total. Tema para cientistas políticos analisarem.

De qualquer forma, a situação se resume numa zombaria dos eleitores que partiram e dos que ficaram para eleger os mandatários em outubro. Dos 619 mil que a codi19 levou para debaixo do chão, ou viraram cinzas nos crematórios, ficaram as lembranças, deserdados e esperançosos de que 2022 será melhor do que o biênio que acaba de acabar.

Em nove meses o país terá um presidente eleito e parte do Congresso Nacional e das assembleias legislativas renovadas. Será a eleição mais emblemática em 133 anos de história republicana. De 1994, quando FHC foi eleito pelo PSDB, até 2018, com a vitória de Jair Bolsonaro, pelo PSL, a democracia nunca sofreu tanta provação. Remodelada pela Constituição Cidadã de 1988, o país passará em 2022 por uma eleição que começou com dois anos de antecedência.

A pandemia da convid19 começou a matar no Brasil em março de 2020, já com sintomas da pré-campanha eleitoral pontuando dentro das diferentes campanhas sanitárias de combate ao vírus.

Assim como em 2018, quando a mídia tradicional, as forças econômicas e evangélicas reformularam seus métodos antipetistas (fracassados de 2002 a 2014 com as eleições sucessivas de Lula da Silva e Dilma Rousseff, e fizeram Jair Bolsonaro ganhar), em 2022 surge a sombra de uma inversão em curso.

Partes daquelas forças políticas estão hoje trocando de casaca, diante das escaramuças do governo extremista de Bolsonaro e suas políticas desengonçadas tanto no combate à pandemia quanto de fracassos nas promessas de fazer o país desenvolver-se e a economia crescer em “V”, como diria Paulo Guedes.

Como a pandemia foi a maior tragédia sanitária do século, os políticos cuidaram de encaixar seus projetos de poder dentro dela.

A oposição tem tido enorme capacidade de litigar contra o governo Bolsonaro que se opôs ao enfrentamento da covid, impôs coquetéis de drogas não eficazes, como a cloroquina, atrasou a compra de vacinas, trocou ministros da saúde como quem troca fardas nos quartéis, contesta a vacina para crianças, dificulta a ação dos cientistas e técnicos, enquanto faz campanha eleitoral de todos os modos possíveis.

Tanto nas redes sociais, quanto nas motociatas, Bolsonaro segura um patamar de apoio que não cai a baixo de 20% nem sob acima de 30% nas pesquisas. Lula, que lidera todas as pesquisas, derrubou suas condenações no STF e outras instâncias da Justiça, enquanto Bolsonaro confronta mais o STF e acumula 106 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

Assim é que 2022 vai chegar, com suas interrogações e também com sopro de esperança por mudança. Mas os zumbis estão soltos e de volta às urnas de 2022.

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