Em 2021, mundo teve menos esperança e felicidade

Onde moram as pessoas mais felizes? E as mais pessimistas? Uma pesquisa da agência Gallup mediu o índice de felicidade, de esperança e de otimismo no mundo em 2021. Seu presidente, Kancho Stoychev, analisa os resultados.

No final de 2021, a esperança e a felicidade global estão diminuindo em todo o mundo em comparação com o ano passado. O medo de dificuldades econômicas permanece alto e em constante crescimento. A pandemia global de covid-19 ainda afeta claramente as esperanças, medos e expectativas do mundo − mas há diferenças significativas por região e por país.

É o que aponta a tradicional pesquisa de fim de ano da Associação Gallup Internacional (GIA, do nome em inglês), com seu Índice de Esperança, Índice de Felicidade e expectativas econômicas divulgada nesta terça-feira (28/12). A pesquisa global, iniciada em 1979, é mais longa do mundo.

Segundo a pesquisa, apenas 38% da população mundial acreditam que 2022 será melhor que 2021, 28% esperam um ano pior e 27% acreditam que em 2022 não haverá mudanças em relação a 2021. As pessoas na Indonésia são as mais esperançosas (76% esperam um ano melhor). Já a esperança é baixa no Afeganistão (56% esperam um ano pior).

As expectativas sobre a economia mostram ansiedade. Entretanto, a preocupação não aumentou em comparação com o ano passado. Hoje, 26% da população espera prosperidade econômica para seu país no próximo ano, 41% estão preparados para dificuldades econômicas e 26% pensam que 2022 será o mesmo que 2021 em termos de economia.

O índice de felicidade em diferentes regiões do planeta

Na Nigéria (61% de otimismo), o otimismo econômico prevalece visivelmente contra o pessimismo.  As expectativas de dificuldades econômicas são mais predominantes na Turquia (72%).

As pessoas na Colômbia (83%), são mais felizes de acordo com sua própria avaliação. As mais infelizes estão no Afeganistão (36% afirmam ser infelizes ou muito infelizes).

A DW conversou sobre os resultados da pesquisa com Kancho Stoychev, presidente da Associação Gallup Internacional.

DW: Como foi 2021 para o senhor e o que espera de 2022?

Kancho Stoychev: Minha memória só se lembra das coisas boas, então todo ano é um grande ano para mim. Quanto ao futuro, se bem me lembro, foi Einstein quem disse que, se você quiser fazer Deus rir, conte-lhe seus planos.

Só há uma coisa que sabemos com certeza é que, felizmente, não podemos conhecer nosso futuro, embora pensemos que podemos. Portanto, sinto-me muito mais à vontade para falar de desejos do que de expectativas.

O que a tradicional pesquisa de final de ano da Gallup nos diz sobre os anos 2021 e 2022?

Ela nos diz que a opinião pública mundial está seriamente preocupada com as perspectivas econômicas e espera um aprofundamento da crise. A Europa lidera neste aspecto, especialmente a Europa Oriental, onde uma média de cerca de dois terços mostra um agravamento das expectativas. O apoio financeiro sem precedentes do Estado a nível pessoal e empresarial desempenhou um papel positivo no ano passado e, de certa forma, limitou a propagação do pessimismo em massa. No entanto, parece que o pior ainda está por vir.

O ano passado foi marcado pela esperança de que as vacinas contra a covid-19 acabariam com a pandemia. Este ano, no entanto, termina com mais perguntas do que respostas. O crescimento da inflação foi antecipado após a impressão recorde de dinheiro, mas, em vez de alguns meses, isto continuará por anos. Com a ruptura das cadeias globais de abastecimento e a explosão dos preços da energia, o descontentamento das massas, as tensões políticas crescerão, não apenas − e nem mesmo predominantemente − nos países menos desenvolvidos.

Qual é o país mais feliz do mundo?

Tradicionalmente, conduzimos este estudo de rastreamento global há mais de 40 anos. O país mais feliz não está entre os mais ricos e nem mesmo entre os países mais desenvolvidos. Este ano, a Colômbia vem em primeiro lugar, com uma pontuação de 79%. Normalmente, países com uma população mais jovem estão à frente neste ranking.

As sociedades mais ricas são geralmente mais velhas e menos felizes. Mas admitir que ser feliz ou infeliz inclui muitos preconceitos ou estigmas culturais, psicológicos e nacionais bastante específicos. A felicidade é mais frequentemente percebida por uma ausência: a ausência de doença, pobreza ou opressão. É uma atitude bastante subjetiva que não pode ser medida com um microscópio, mas que desempenha um papel importante em nossas vidas.

Seu país de origem, a Bulgária, é o segundo país mais pessimista do planeta, mais ainda do que o Afeganistão. Por que isso acontece?

Ao medir o otimismo e o pessimismo, estamos registrando atitudes públicas − não pessoais. O tradicional humor pessimista dos búlgaros se deve principalmente à desconfiança da elite, especialmente da elite política. O pessimismo na Bulgária é realismo; não se deve a sonhos públicos fracassados. É antes uma condenação do modo de funcionamento da sociedade búlgara e, nesse sentido, é uma atitude positiva e produtiva.

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