Arregaço PDT x PSDB em marcha

Por Raimundo Borges
O Imparcial – A disputa do governo do Maranhão 2022, hoje polarizada entre os pré-candidatos Carlos Brandão (vice-governador e do PSDB) e Weverton Rocha, senador do PDT, trás um ingrediente histórico em que se misturam perspicácia e estultice.
A disputa do governo do Maranhão 2022, segue polarizada entre Weverton Rocha e Carlos Brandão

O PDT de Weverton comandou São Luís por quase duas décadas, tendo Jackson Lago como sua expressão máxima no Maranhão. O PSDB de Carlos Brandão foi o púnico partido a fazer revezamento na capital, com João Castelo em 2008. Edivaldo Júnior quebrou a corrente partidária em 2012, mas a reatou em 2016 ao se reeleger já filiado ao partido de Weverton Rocha.

Com a aproximação da eleição de outubro, Weverton Rocha quer quebrar a outra corrente que se formou no âmbito estadual, que derrubou o sarneísmo cinquentenário e deu forma ao dinismo, liderado pelo ex-juiz federal Flávio Dino, do PCdoB.

Ele, mesmo concorrendo por um partido comunista altamente estigmatizado pela sociedade brasileira, no entanto, construiu uma engenharia política tão complexa que colocou como aliados nove partidos em 2014 e 16 em 2016. Dino arrebanhou a esquerda, o centro e a direita. Para fechar o projeto, colocou como principal peça da engrenagem política, o tucano Carlos Brandão.

Oito anos se passaram, Dino trocou o PCdoB pelo PSB, tornou-se figura de projeção nacional como nenhum outro do Nordeste, praticando uma gestão inovadora e popular.

Hoje se depara com o mesmo PDT, tentando fazer consigo o que fez Jackson Lago com Roseana Sarney, na primeira eleição de prefeito de São Luís, ao destampar champanhe com a então governadora. A diferença é que Weverton Rocha, como jovem que é não bandeou pelo sarneísmo. Porém, assume uma pré-candidatura que segue rumo a um beco sem saída.

Mesmo falando de grupo e de aliado de Flávio Dino, a realidade, porém vai colocá-lo na encruzilhada, na qual só lhe restará a via da conciliação ou a da ruptura com o líder que já optou pelo vice Brandão e em 31 de março lhe passará a faixa de governador.

Flávio Dino provou que tem capacidade de articular com qualquer facção ideológica ou partidária. Já conversou animadamente até com José Sarney e Roseana. Porém, sabe que, ao optar pela pré-candidatura de Brandão jogou uma cartada que tanto pode servir como alerta a Weverton Rocha, quanto um chamamento a uma realidade do momento, que poderá trazer consequências para todos.

Weverton tem ainda quatro anos de mandato e uma juventude que lhe permitirá não apenas assumir o comando do grupo dinista, quanto ser atropelado por uma jogada mal calculada. Afinal, no jogo não estão hoje nem Jackson Lago, nem José Sarney e a filha Roseana. Mas sim quem os destronou.

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