Bahia: Governo Bolsonaro recusa ajuda humanitária oferecida pela Argentina

Revista Fórum – Ministério das Relações Exteriores disse que situação está “sendo enfrentada com mobilização interna”. País vizinho ofereceu envio imediato dos Capacetes Brancos, grupamento especializado em resgates.

O governo Bolsonaro recusou a ajuda humanitária oferecida pela Argentina para as vítimas das chuvas na BahiaA tragédia deixou 24 mortos, 37.324 desabrigados, 53.934 desalojados e 434 feridos. Segundo a Defesa Civil baiana, a decisão da União foi comunicada ao consulado argentino na noite desta quarta-feira (29).

O país vizinho ofereceu envio imediato de uma missão com dez profissionais dos Capacetes Brancos, grupamento especializado em resgates, logística e apoio psicossocial. Segundo o governador da Bahia, Rui Costa (PT), isso incluiria, por exemplo, a oferta de comprimidos para potabilização de água.

Na tarde de ontem, Costa chegou a agradecer a Argentina e pediu celeridade do governo federal para autorizar a missão estrangeira. “Com a união de esforços, vamos superar este difícil momento. Agora, a missão argentina aguarda a autorização do Ministério das Relações Exteriores para que possam vir à Bahia”, escreveu.

De acordo com reportagem do UOL, o governo brasileiro agradeceu o apoio do país vizinho e justificou a dispensa afirmando que a situação na Bahia “está sendo enfrentada com a mobilização interna de todos os recursos financeiros e de pessoal necessários”.

“Na hipótese de agravamento da situação, requerendo-se necessidades suplementares de assistência, o governo brasileiro poderá vir a aceitar a oferta argentina de apoio da Comissão dos Capacetes Brancos, cujos trabalhos são amplamente reconhecidos”, disse o Ministério das Relações Exteriores.

Rui Costa critica Bolsonaro

Em meio à tragédia, Rui Costa (PT) afirmou que lamenta o desprezo de Jair Bolsonaro (PL), que passa férias em Santa Catarina, e disse que o presidente “não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo”.

“O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana. Se você me perguntar: “O senhor esperava ele aí?”, vou dizer que não. Durante três anos, em nenhum momento, em nenhum outro desastre, na pandemia, ou em qualquer situação que significasse prestar solidariedade à vida humana ele fez qualquer gesto. É um presidente que não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo”, afirmou Costa em entrevista à “Folha de S. Paulo” durante atendimento à população no local da tragédia.

Segundo o governador, o Estado colocou toda a estrutura possível para reduzir os estragos das chuvas, mas conta com a ajuda de outras regiões para isso, já que mesmo a infraestrutura das Forças Armadas é inadequada para muitas ações, como resgate de pessoas.

“O governo federal não tem nenhuma estrutura de ajuda aos Estados para desastres. Os helicópteros do Exército, da Marinha, são completamente inadequados para esse tipo de coisa. São helicópteros para a guerra, não para sobrevoar áreas urbanas. Um helicóptero daquele tamanho, quando baixa a uma altura mais reduzida, arranca as telhas, é um desastre”, ressaltou.

 

 

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