Torcer pela recuperação

Por Raimundo Borges

O Imparcial – O ano de 2022 está começando no Brasil com tragédias de enchentes, mostrando o descontrole do tempo, mas tem uma noticia boa: a crise sanitária da covid19, apesar da variante ômicron, revela o menor índice de mortes e contaminação desde 2020.

Na economia, a inflação tende a perder força, como resultado da safra recorde de alimentos, possível redução de preço dos combustíveis e diminuição da demanda, resultado da forte alta dos juros e da atividade fraca. Pelo menos é o que preveem os economistas de plantão, que viram ainda as vendas de fim de ano apresentar uma recuperação acima de 10%.

Agronegócio emprega 1 de cada 3 trabalhadores do Brasil
A inflação tende a perder força, como resultado da safra recorde de alimentos

Nem tudo, porém, serão flores neste ano eleitoral, com as candidaturas tentando se colocar no novo cenário, no qual as pesquisas a partir de agora terão que passar pelo controle da Justiça eleitoral. Acabou a farra das pesquisas realizadas sob encomenda, para tumultuar o debate.

A resolução 23.600 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aprovada no dia 16 de dezembro passado traz inovação sobre a federação de partidos, uma experiência histórica em 2022. As pesquisas não serão controladas previamente pelo TSE e nem os institutos são obrigados a divulgar o que pesquisam, mesmo sendo registrado.

O cenário eleitoral na disputa presidencial começa 2022 como terminou 2021. Apenas os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) aparecerem hoje nas pesquisas com chances de a eleição ser resolvida já no primeiro turno.

Apenas Lula e Bolsonaro aparecerem nas pesquisas com chances de a eleição ser resolvida já no primeiro turno

A 3ª via não sinaliza para nenhum dos pré-candidatos Sérgio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT), ou Simone Tebet (MDB). Tais questões são parte de um ano político em que a campanha eleitoral marchará com o eleitor de olho na posição de cada candidato e nos indicadores da economia brasileira. Afinal, o PIB recuou 0,1% no 3º tri e Brasil entra em ‘recessão técnica’. E agora? Agora não tem, cartomante capaz de apontar um horizonte seguro para o que virá.

Há divergências obvias dos analistas, se o PIB vai ser um pouco negativo ou um pouco positivo, mas todos concordam que, no azul ou no vermelho, o desempenho deve ficar muito próximo de zero. Como consequência, o mercado de trabalho tende a perder ímpeto, com a taxa de desemprego caindo mais devagar e a geração de vagas formais em marcha lenta.

Há quem prefira falar em estagnação já que as quedas até agora foram pequenas e, segundo eles, mostram mais uma economia “andando de lado” do que em franca decadência. Só nos resta torcer para que todas as previsões de recessão sejam apenas elucubrações na cabeça dos economistas, que adoram prever o que normalmente não se confirma.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *