Ano do radicalismo

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O ano está apenas começando e com ele todo um expecto acinzentado da política brasileira, depois da cambalhota de 2018 com Jair Bolsonaro, primeiro presidente da extrema direita a sentar na cadeira de chefe da República.

Desde então, o Brasil se dividiu em dois brasis: o do ódio mortal da esquerda contra a direita e o ódio da direita contra a esquerda. No meio desse cenário tosco, permeia o achincalhe às instituições e a desmoralização programática da dignidade da política. Tudo foi jogado no ralo da ignorância coletiva, em que dela se aproveita a direita bolsonarista com a figura de um famigerado “mito”, embrulhada em pacote colorido, enquanto todo o resto é lixo.

Os brasileiros que já foram os maiores entendedores de futebol e do carnaval, mas com um “mito” no Palácio do Planalto, a legião de torcedores passou a ser também “especialista” em política, com inclinação até rumo à Justiça.

As redes sociais, então, passaram a ser a ferramenta dessa investida programada contra as instituições do Congresso Nacional e, por tabela, também do Judiciário.

Nunca antes as decisões da Suprema Corte foram tão questionadas, assim como seus ministros nunca foram tão achincalhados e acionados como agora. A pandemia do coronavírus alimentou ainda mais o processo de divisão do Brasil e a corrosão de suas instituições.

A direita, que já foi forte e organizada no Brasil com o jornalista Plínio Salgado e sua Ação Integralista Brasileira entre 1920 a 1940, chegou a formar a maior organização fascista no mundo fora da Europa e do Il Duce Mussolini, com seus “camisas verdes”.

A legião extremista chegou a contar com um milhão de seguidores. Com a destruição do fascismo e do nazismo no pós-guerra, nem na ditadura militar do Brasil de 1964 essas correntes conseguiram ressurgir de alguma forma significativa.

Hoje, a realidade é outra. O bolsonarismo tornou-se uma referência mundial e sinaliza que seu radicalismo será capaz de tomar qualquer atitude insana para erodir a democracia e tornar as eleições deste ano um pesadelo.

Em seu novo livro, Crônica de Uma Tragédia Anunciada – Como a Extrema-Direita Chegou ao Poder (Sagga Editora), o pesquisador Wilson Gomes analisa os acontecimentos políticos entre 2014 e 2018, anos em que, segundo o escritor, “o Brasil virou radicalmente à direita”.

Ele sintetiza como a Operação Lava-Jato, o antipetismo, as manifestações de 2013 e o impeachment de Dilma Rousseff, entre outros elementos, contribuíram para a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Gomes explica as diferenças entre direita e extrema-direita e analisa o que a derrota de Donald Trump nos EUA significa para a direita. E pontua: “Sem Trump, Bolsonaro ficou sendo o último representante da nova direita troglodita à frente de um país realmente importante para o mundo”.

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