Mesmo com covid, Flávio Dino defende união da esquerda já

Por Raimundo Borges
O Imparcial – Mesmo cumprindo, em casa, quarentena da covid19, o governador Flávio Dino continua a se movimentar dentro dos cenários políticos brasileiro e maranhense. Pelo twitter, ele defendeu, na terça-feira, a união entre o PSB, no qual está filiado, e o PT, “com concessões recíprocas”. Ao fazer a defesa da união pactuada entre os partidos de esquerda nas eleições de outubro, o governador sabe, porém, que se trata de uma engenharia política que vai demorar algum tempo para que as lideranças consigam chegar ao consenso em torno de Luiz Inácio Lula da Silva “para derrotar o presidente Jair Bolsonaro”.

O governador trocou o PCdoB pelo PSB como estratégia política, mas insiste em seu projeto que defendeu durante todo o ano de 2020: sem unir a esquerda na eleição presidencial, não será fácil derrotar Bolsonaro. Portanto, vai insistir que o PSB caminhe junto com o PT, PCdoB e outras legendas – do flanco esquerdo ao centro – na disputa, desde que haja concessões de cada lado. O maior obstáculo para a finalização desse projeto encontra-se em São Paulo, onde o PT tem Fernando Haddad como pré-candidato e o PSB quer por que quer lançar Márcio França ao Palácio dos Bandeirantes.

Para Flávio Dino, “a história ensina: quando os partidos progressistas se unem, o Brasil avança e a vida do povo melhora. Por isso, defendo que o nosso PSB caminhe junto com o PT, o PCdoB e outros partidos aliados, o que depende de perseverança, diálogo e concessões recíprocas”, escreveu Dino no Twitter.

Como o debate político esfriou neste começo de 2022, com a pandemia da covid, pela variante ômicron tomando todas as atenções do país e do mundo, o governador acha que o momento de recesso no Congresso e no Judiciário, é próprio para aprofundar as discussões no âmbito dos partidos e buscar alternativas.

Embaraços em São Paulo

Nos últimos dias, as conversas sobre uma possível federação entre PT e PSB esfriaram devido a entraves acerca das alianças estaduais, principalmente em São Paulo, onde o ex-governador Márcio França (PSB) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) são postulantes ao Palácio dos Bandeirantes. A divergência fez Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, abrir negociações com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, candidato à Presidência do PDT, embora seu desempenho nas pesquisas não seja o que deseja o partido e aliados. Afinal, Ciro tem aparecido abaixo de dois dígitos e atrás do ex-juiz Sérgio Moro.

Nesta semana, o filho de França, deputado estadual Caio França (PSB), chegou a publicar nas redes sociais uma foto com o livro de Ciro Gomes.

Recentemente, em entrevista ao Estadão, o presidente do PDT, Carlos Lupi afirmou que uma aliança do PT e PSB não tinha como ocorrer. “Esse negócio do PSB com o PT não tem como dar certo, mesmo porque Lula, com 46% (das intenções de voto), acha que já está com a mão na taça.”.

Uma possível aliança entre as duas siglas passa pela filiação do ex-governador Geraldo Alckmin ao PSB. Um jantar em dezembro marcou a aproximação entre o agora ex-tucano e Lula. O encontro foi visto como uma sinalização do petista de sua intenção de formar uma aliança que vá além da esquerda para derrotar o presidente Jair Bolsonaro. Para sacramentar a união, o PSB quer o apoio petista em cinco Estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O maior entrave, porém, é São Paulo, com Haddad, pelo PT, e França, PSB, na disputa.

Consenso e concessões

Ao reabrir o debate sobre as eleições de outubro, Flávio Dino toca na presidencial, mas deixa claro para o grupo que lidera no Maranhão que nada está resolvido sobre as candidaturas que atraem as atenções e dividem o eleitorado: Weverton Rocha (PDT) e Carlos Brandão (PSDB). Dino sabe que a partir de 31 de março estará fora do governo e Brandão no lugar. No entanto, ele deixará do comando do grupo pelo qual foi eleito e cumpriu sete anos de mandato sem crise interna.

O projeto foi tão bem sucedido, que o dinismo elegeu a maioria esmagadora da Assembleia Legislativa do Maranhão, da bancada de deputados federais e os três senadores – Roberto Rocha, em 2014, Weverton Rocha e Eliziane Gama em 2018. Nada aconteceu à toa. Foi preciso uma liderança forte, organizada e popular para obter tamanho desempenho.

Dino não aceitará perder o controle do grupo no momento em que a política nacional passa por uma situação de incerteza e preocupação para uns e confiança para outros. Afinal o cenário aponta para a volta de Lula ao poder central ou da permanência de Jair Bolsonaro. Portanto, 2022 será histórico para a política brasileira com a volta da esquerda ao Planalto, ou o fortalecimento da extrema-direita no maior país da América Latina. O Maranhão, obviamente, terá posição marcante em quaisquer das situações que saírem das urnas.

Quando propaganda a união com concessões, Dino está falando também do espaço que ainda precisa ser preenchido na política do Maranhão, e evitar que o poder político saia do controle de uma liderança que está acertando na gestão governamental, com um programa robusto de mudanças, cujo resultados já aparecem na economia (PIB), na educação (Fundeb), na saúde e na confiança do setor privado.

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