Como 9 mulheres escaparam de marcha da morte nazista

Hélène Podliasky
Quando a tia-avó de Gwen Strauss revelou que havia liderado um grupo de nove mulheres na fuga de uma marcha da morte nazista em 1945, Gwen quis saber mais detalhes dessa impressionante história.

Mal sabia ela que isso acabaria levando-a a refazer os passos dessas mulheres e a garantir que a bravura delas fosse reconhecida 75 anos depois.

A conversa voltou-se para o passado de Hélène. Gwen sabia que sua tia-avó havia atuado na resistência aos nazistas na França durante a Segunda Guerra Mundial, mas pouco conhecia sobre aquela época de sua vida.

Hélène contou a história de como foi capturada pela Gestapo (polícia nazista), torturada e deportada para um campo de concentração na Alemanha. À medida que os Aliados se aproximavam, o campo foi evacuado e, assim como muitos prisioneiros, ela foi forçada pelos nazistas a caminhar por quilômetros em uma “marcha da morte”.

Gwen ficou surpresa.

“Ela estava se aproximando do fim de sua vida. Acho que ela se sentiu finalmente pronta para falar sobre isso”, diz Gwen, “e como muitos sobreviventes que ficaram em silêncio por anos, muitas vezes eles não falavam com seus familiares mais próximos, eles falavam com alguém um pouco distanciado da família.”

Hélène Podliasky tinha apenas 24 anos quando foi presa por atuar como oficial de ligação da Resistência no nordeste da França. Seu nome de guerra era “Christine”.

Ela falava cinco línguas, incluindo alemão, e era uma engenheira altamente qualificada.

“Ela estava bem no topo da Resistência”, diz Gwen. “Atuava há mais de um ano contatando agentes e orientando o lançamento de cargas por pára-quedas. Era brilhante. Uma pessoa elegante, quieta, mas enérgica.”

A guerra estava chegando ao fim, e Hélène havia sido presa em 1944, após uma grande investida dos nazistas para tentar acabar com todas as redes de Resistência na França. Outras oito mulheres também foram detidas. A amiga de escola de Hélène era uma delas.

Presas do campo de concentração de Ravensbrück

Suzanne Maudet (nome de guerra: “Zaza”) era otimista, gentil e generosa, diz Gwen. Um mês depois de ela se casar, aos 22 anos, com René Maudet, outro membro da Resistência, o casal foi preso por ajudar jovens franceses a escaparem e aderirem ao movimento, em vez de serem convocados para trabalhar nas fábricas alemãs.

“Nicole Clarence era responsável por todos os oficiais de ligação em toda a região de Paris”, diz Gwen – posto que a colocava em imenso perigo.

Com apenas 22 anos, ela havia sido presa três semanas antes da libertação de Paris em agosto de 1944 e deportada para fora da cidade junto com a última leva de prisioneiros.

Jacqueline Aubéry du Boulley (“Jacky”) também foi uma das últimas presas a ser retirada de Paris.

Com 29 anos, era a mais velha do grupo, uma viúva de guerra e parte de uma importante rede de inteligência na Resistência, conta Gwen.

Jacky foi criada por uma tia e um tio, porque seu pai era marinheiro e passava mais tempo no mar do que em terra firme.

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