2022 começa com tragédias de inundações e a política encalacrada na crise pandêmica

Por Raimundo Borges
O Imparcial – O ano pandêmico de 2021 passou a bola para 2022 com o mundo em polvorosa pela variante ômicron da covid19. O que se imaginava era uma retornada robusta do crescimento econômico (atrofiado desde 2020 pela primeira onda do coronavírus). Porém, já prenuncia neste ano corrente algo em redor de zero no PIB. Para a política brasileira em ano de eleições gerais, tal previsão significa mudança igualmente radical no posicionamento do eleitorado na hora de digitar o voto na urna. Não sem motivo, os políticos de mandatos, cientistas e entidades representativas vivem momentos de mais indagações negativas do que respostas positivas para a economia e para a pandemia.
O ano de 2021 passou a bola para 2022 com o mundo em polvorosa pela variante ômicron da covid19

Aproximadamente oito pré-candidatos presidenciais tentam se projetar – usando
principalmente as plataformas digitais – no jogo da sucessão. O estranho, porém, é que até
agora nenhuma proposta surgiu para o enfrentamento da crise pandêmica e seus
desdobramentos na economia. Igual número de concorrentes desponta no Maranhão dentro e
fora do grupo liderado pelo governador Flávio Dino. Também, não existe proposta objetiva
para o enfrentamento da crise. Se não bastassem, ocorreram tragédias em Minas Gerais, na
Bahia e outros estados, provocadas por enchentes.

Aproximadamente oito pré-candidatos presidenciais tentam se projetar e igual número de concorrentes desponta no Maranhão, na sucessão estadual

Enquanto isso, o petista Lula da Silva ultrapassou o ano velho e chegou ao novo, com larga
vantagem nas pesquisas sobre o segundo colocado Jair Bolsonaro. O Centrão, por sua vez,
entrou 2022 com o projeto da 3ª via totalmente embaralhado. O governador João Doria
(PSDB) já sinaliza conversar com o ex-juiz Sérgio Moro (Podemos), que passou semana passada
pelo Nordeste, aonde chegou a ser hostilizado na Paraíba.

Lula chegou ao novo, com larga vantagem nas pesquisas sobre o segundo colocado Jair Bolsonaro

Se as eleições fossem hoje, Lula teria boas chances de vencer até no primeiro turno num
eventual peleja contra Jair Bolsonaro. É o que apontam a maior parte das pesquisas de
opinião. Num mais provável segundo turno, a folga de Lula sobre os outros candidatos se
mantém expressiva.

Para boa parte da elite financeira e econômica, que não simpatiza com o ex-presidente e nem
com o atual Bolsonaro, parece algo difícil de entender. Mas, na verdade, é um fenômeno
aparentemente previsível, cujo centro da questão está nas consequências diretas da Covid-19,
como o governo Bolsonaro tem se comportado desde o início da crise em 2020 e nela segue
inarredável até hoje negando tudo que a ciência indica.

A pandemia, que já matou mais 620 mil brasileiros, deixou um legado de inflação alta, PIB
nanico, miséria, sofrimento social e desemprego. Embora o mercado de trabalho esteja dando
sinal de baixa recuperação, o Brasil ainda tem 13 milhões de pessoas sem trabalho. O IPCA
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou o ano com alta de 10,74%.
E a economia não cresce há pelo menos dois trimestres, o que configura recessão técnica,
conforme apontam os organismos especializados.

Nem as vendas no varejo no período do Natal animaram o comércio. Em São Paulo a queda foi
de 10,3%, embora os shoppings tenham apresentado resultado positivo de 10%, segundo a
associação que os congrega. Portanto, não resta dúvida de que a fator econômico, empurrado
pelo sanitário, vai sim ter peso determinante nas urnas de outubro, tanto para presidente,
quanto governadores de parlamentares.

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